O Que é Monergismo e o Que é Sinergismo?

Sinergismo e Monergismo são dois pontos de vista teológico distintos acerca da doutrina da salvação. Na verdade estas duas linhas de interpretação têm sido debatidas durante muitos séculos dentro da História da Igreja, antes mesmo da Reforma Protestante.

Basicamente os monergistas e os sinergistas discutem sobre como consiste a obra da salvação, especialmente no que diz respeito se ela é uma obra exclusiva de Deus e se, porventura, o homem participa de alguma forma nesse processo.

O que é o Monergismo?

A palavra Monergismo deriva do grego e significa “trabalhar sozinho” ou “trabalho de um”. Este significado já explica bastante o conceito da doutrina monergista.

O Monergismo defende que a salvação é uma obra realizada exclusivamente por Deus, sem qualquer cooperação do esforço humano. A doutrina monergista ensina que o homem natural não possui qualquer possibilidade em si mesmo de amar a Deus, de viver segundo a sua vontade desejando aquilo que lhe agrada e de compreender as coisas espirituais.

Portanto, o Monergismo defende que Deus age de forma completamente soberana e independente na obra da regeneração, ou seja, o novo nascimento de nenhuma forma depende da capacidade, da escolha ou inclinação prévia do homem. Saiba mais sobre o que é o novo nascimento.

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Para o Monergismo, somente após ter nascido de novo é que o homem poderá responder com fé e arrependimento ao ser quebrantado pelo chamado do Evangelho. Logo, o Monergismo entende que a regeneração é a causa da fé, isto é, o homem só poderá crer após ter sido regenerado, enfatizando que a depravação total da humanidade imersa no pecado não permite que qualquer esperança possa ser depositada no próprio homem.

O Monergismo foi uma doutrina marcante no período da Reforma Protestante, sendo adotada pelos principais reformadores. Na atualidade, a doutrina monergista é defendida especialmente pelos cristãos que seguem a linha soteriológica calvinista. Entenda o que é Soteriologia.

O que é o Sinergismo?

O Sinergismo é a doutrina exatamente oposta ao Monergismo. O significado da palavra “Sinergismo” transmite a ideia de “trabalhar junto”, no sentido de destacar o esforço coordenado e unido de mais de um agente no cumprimento de um objetivo.

O Sinergismo entende que de alguma forma o homem coopera na obra da salvação. Isso significa que a regeneração não depende exclusivamente da obra soberana de Deus, mas também da vontade humana. Isso significa que na visão sinergista a fé precede a regeneração, e Deus espera pela vontade humana em responder positivamente o convite da salvação.

Em outras palavras, o Sinergismo ensina que não basta Deus querer salvar o pecador, mas o pecador também precisa querer ser salvo. Se Deus quiser salvar o homem, mas se o homem não quiser ser salvo, no final prevalecerá a vontade do homem e Deus respeitará a sua escolha.

Diferente do Monergismo que encontra uma ideia mais unificada entre seus defensores, no Sinergismo existe diferentes linhas de interpretação, o que faz com que o grau desta cooperação humana dependa da linha sinergista adotada.

Existem sinergistas, por exemplo, que negam a doutrina do pecado original, dizendo então que o homem não está inclinado ao pecado e pode, por si mesmo, fazer o bem diante de Deus. Outros sinergistas entendem que mesmo o homem estando contaminado pelo pecado, ainda há nele uma capacidade de caminhar em direção a Deus, dando o primeiro passo para alcançar a salvação pela graça.

Por fim, há também aqueles que defendem que o homem natural é completamente depravado e dominado pelo pecado, sendo então incapaz de, sozinho, se aproximar de Deus. No entanto, estes acreditam que Deus dispensou ao homem uma graça que lhe capacita em decidir sobre sua salvação.

Muita gente utiliza o Sinergismo como sendo sinônimo do Arminianismo, mas este tipo de aplicação não é correto. O Arminianismo realmente adota o sistema sinergista, mas nem todos os sinergistas são arminianos.

Existem outros grupos que adotam o Sinergismo e que são diferentes do Arminianismo em muitos aspectos, como por exemplo: pelagianos, semipelagianos (especialmente entre os representantes da teologia Católica Romana), ortodoxos orientais, adeptos do Teísmo Aberto e outros.

O Monergismo e o Sinergismo são visões completamente opostas, de modo que existem tantas diferenças entre estas duas linhas doutrinárias que não há como ser meio-monergista e meio-sinergista. Também não existe uma terceira opção, ou seja, todos os cristãos necessariamente serão ou monergistas ou sinergistas.

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