O Cativeiro Babilônico

O cativeiro babilônico é uma referência ao tempo em que o povo hebreu do reino de Judá ficou exilado sob o domínio do Império Babilônico.

O exílio dos judeus na Babilônia se deu, principalmente, por sua rebeldia e apostasia frente aos mandamentos de Deus. Os judeus se afastaram e se esqueceram de Deus, ignorando também os profetas que anunciaram o arrependimento.

O cativeiro na Bíblia

A Bíblia descreve outras nações, além de Israel, sendo submetidas a cativeiros. Basicamente o cativeiro consistia na prática de uma nação vitoriosa selecionar entre os habitantes da nação derrotada prisioneiros para servirem como escravos, ou, no caso das mulheres, como esposas e concubinas.

Geralmente quando uma nação era derrotada, seu território era arrasado e a maioria dos seus cidadãos mortos. Aqueles que sobravam, conviviam com a dor da separação de sua terra natal e com o desespero de não contarem mais com a proteção de seu deus local.

Na verdade quando uma nação era capturada por outra, as pessoas acreditavam que isso significava que a divindade daquela nação também havia sido derrotada (cf. Is 52:2-5; Jr 50:29).

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Foram os assírios que começaram a utilizar a deportação como a maneira principal de lidar com cidadãos de nações subjulgadas. Ao dominarem um determinado reino, eles capturavam seus habitantes e os realocavam em outra parte do império. Tal como os assírios, os babilônicos também usaram a mesma técnica.

Os cativeiros de Israel

Na história do povo de Israel, existem várias ocasiões em que os hebreus estiveram longe de sua terra. Se considerarmos o período que ficaram no Egito como um tipo de cativeiro, já que não tinham permissão para partirem, então desde antes de se estabelecerem na Palestina os israelitas já experimentaram essa realidade.

Assim, podemos entender que a Bíblia menciona três grandes cativeiros que o povo de Israel precisou enfrentar: o cativeiro no Egito (apesar de haver algumas distinções com os demais), o cativeiro na Assíria e o cativeiro na Babilônia.

Desde muito antes das grandes quedas frente à Assíria e a Babilônia, alguns hebreus já eram levados cativos em algumas situações. Um exemplo disto é a própria invasão do Faraó Sisaque a Palestina em aproximadamente 930 a.C. (1Rs 14:25-28).

Mais tarde, em aproximadamente 733 a.C., os membros das tribos de Naftali, Ruben, Gade e alguns de Manassés, também foram levados para a Assíria (2Rs 15:29; 1Cr 5:26).

No entanto, foi em aproximadamente 722 a.C. que a cidade de Samaria caiu frente ao domínio da Assíria de Sargão II. Lembrando que naquela época o reino de Israel já havia sido dividido em reino do norte, Israel, e reino do sul, Judá. Saiba mais sobre os reis de Israel e reis de Judá.

Samaria era a capital do reino do norte, portanto sua queda representava uma derrota total para Israel. Documentos assírios indicam que pelo menos 27.290 israelitas foram deportados para outras cidades, como Hala e as cidades dos medos (cf. Ob 1:20; 2Rs 17:6; 18:11).

Vale ressaltar que o cativeiro imposto ao povo de Israel era a consequência da idolatria que praticaram ao adorarem deuses pagãos. Esse comportamento atraiu o castigo do Senhor sobre eles (2Rs 17:7-23).

O cativeiro na Babilônia

Após cerca de 135 anos da queda de Samaria e do exílio imposto aos habitantes do reino do norte, em 586 a.C. foi a vez do reino do sul ser derrotado, e Jerusalém cair sob o domínio de Nabucodonosor II da Babilônia (2Rs 25:1-7).

Antes disso, alguns pequenos grupos já tinham sido capturados e exilados, mas a grande deportação ocorreu mesmo a partir de 587 a.C. Na verdade houve três invasões significativas de Judá por parte dos babilônicos.

A primeira ocorreu em 605 a.C., quando Nabucodonosor avançou contra Jeoaquim (2Rs 24:1-24; 2Cr 36:5-7). Foi nessa invasão que o profeta Daniel e os amigos Hananias, Misael e Azarias foram levados cativos para a Babilônia.

A segunda invasão ocorreu em 597 a.C. (2Rs 24:10-14) e a terceira, a maior de todas elas, ocorreu em 586 a.C. É interessante saber que dos últimos cinco reis que Judá teve, três foram levados em cativeiro, sendo: o rei Jeoacaz, para o Egito; o rei Joaquim e o rei Zedequias para a Babilônia.

Contemporâneo a isso, também precisamos destacar que o profeta Jeremias, e seu escriba Baruque, foram também levados, juntamente com um grupo de judeus, para longe de Judá, na ocasião, para a terra do Egito. É verdade também que Jeremias foi levado contra sua própria vontade.

O cativeiro babilônico não foi nada fácil para os judeus. Eles foram humilhados, maltratados e insultados, e a lembrança da queda de Jerusalém e da destruição do Templo esmagava-os.

O Salmo 137, ao mesmo tempo em que relata a tristeza dos judeus no cativeiro babilônico, também mostra o quão distante eles estavam da presença de Deus, a ponto de nos revelar que o grande lamento daquele povo era por sua adorada Jerusalém e não por estarem arrependidos pela desobediência aos mandamentos do Senhor.

No cativeiro, os judeus choraram com saudade de Jerusalém, choraram pelo Templo destruído, mas não choraram por terem se esquecido da Palavra do Senhor. Eles oraram pedindo vingança, mas não oraram pedindo perdão (Sl 137:5-9).

Se o Salmo 137 nos mostra que a maioria dos judeus se recusou a cantar a canção do Senhor em uma terra estranha, o livro de Daniel nos mostra que ainda havia aqueles que compreendiam a soberania de Deus mesmo no exílio.

Daniel entendia que seu Deus era o Deus de toda terra, e não apenas um tipo de divindade tribal que se resumia aos limites de Jerusalém. Em uma terra estranha, Daniel contemplou as maravilhas do Senhor e lhe foi revelado o propósito maravilhoso da vinda do Messias (Dn 9).

A verdade de que o povo judeu havia se conformado, e até mesmo gostado da vida longe de sua pátria, pode ser vista no fato de que quando receberam a permissão para retornarem à Palestina apenas uma pequena porcentagem se animou com a notícia e realmente retornou.

Acredita-se que na época do Novo Testamento, no século 1, mais de três milhões de judeus viviam fora da Palestina espalhados pelo Egito, Ásia Menor, Síria, Babilônia, Itália, Sicília e outras regiões do Império Romano.

O período que envolve o pré-cativeiro, o cativeiro e o pós-cativeiro foi marcado por uma grande atividade literária, onde notáveis profetas do Senhor se destacaram, como: Habacuque, Ezequiel, Jeremias, Obadias, Daniel, Zacarias e Ageu. Foi nesse período também onde surgiu o conceito de sinagoga.

Quanto tempo durou o cativeiro babilônico?

Existe certa discussão entre os estudiosos sobre essa questão. Jeremias profetizou claramente que o exílio babilônico duraria 70 anos (Jr 25:11,12; 29:10-14). Se considerarmos a data da queda de Jerusalém até a permissão de retorno dada por Ciro, então teremos aproximadamente 50 anos.

Porém, se for considerada a data da primeira invasão do rei Nabucodonosor contra Judá em 605 a.C., a qual Daniel foi levado cativo, até o decreto de Ciro, então o período estimado é muito próximo à 70 anos. Essa foi a interpretação do escritor de Crônicas e do profeta Zacarias (2Cr 36:20-23; Zc 1:12).

Para quem argumenta que as datas não se encaixam com exatidão, é necessário entender que o número 70 possui um peso simbólico muito grande, ou seja, não se deve interpretá-lo apenas como uma simples cronologia.

Esse princípio pode ser notado na profecia das 70 semanas de Daniel (Dn 9), onde essa profecia inicial de 70 anos foi estendida sete vezes devido à falta de penitência do povo no exílio.

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8 comentários em “O Cativeiro Babilônico”

  1. Muito bom. Obrigada por está abençoando minha vida através desses estudos maravilhosos, que o Senhor Deus está lhe capacitando cada vez mais a isso. Deus te abençoe ricamente.

  2. Esses estudos bíblicos é só bênção na minha vida por isso que não perco um só conteúdo.Que Deus continue te abençoando tremendamente.

  3. Muito bom! Tais estudos nos ajuda bastante a crescer no conhecimento da palavra de Deus. Que o Senhor Jesus continue abençoando e honrado seu ministério. Forte abraço!

  4. Fica claro que o exílio de Jerusalém se deu por esses períodos.
    Fica claro para mim que Daniel e seu amigos não foram chamado para simplesmente
    para darem aula no período de Nabucodonosor, mas eram exilados!
    Foram eles no embalo da maré na época do exílio…gostei de saber disso.

    olha gostei muito do ensino, parabéns!!

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