O Que a Bíblia Diz Sobre Namoro?

A Bíblia não diz nada acerca do namoro especificamente. Isto porque o namoro não era uma realidade nos tempos bíblicos. Na verdade o namoro é uma característica moderna da cultura ocidental.

A ideia de um homem se relacionar afetivamente com uma mulher sem muito compromisso era inconcebível no contexto judaico. Quando havia um relacionamento, esse relacionamento tinha implicações sérias relacionadas às núpcias.

Quando a Bíblia fala em relacionamento pré-nupcial, os escritores bíblicos tem em mente o noivado. Esse noivado era muito diferente da ideia moderna de namoro. O noivado dos tempos bíblicos era um procedimento formal muito mais sério do que até mesmo o conceito de noivado na atualidade. Ele servia como um tipo de acordo onde os noivos já eram considerados legalmente desposados.

Um rapaz noivo de uma moça já era considerado genro de seu sogro (cf. Gênesis 19:14). Uma infidelidade ou qualquer imoralidade nessa fase era considerada tão grave quanto o adultério (cf. Deuteronômio 22:22-27). Esse padrão é retratado com exatidão no registro do relacionamento pré-matrimonial entre Maria mãe de Jesus e José (cf. Mateus 1:20; Lucas 1:27).

A escolha do noivo ou da noiva normalmente era feita através dos pais, num tipo de acordo familiar. Muitas vezes o casal só se conhecia já na ocasião do próprio casamento. Podemos ver isto claramente quando Abraão mandou que seu servo buscasse uma esposa para seu filho Isaque (Gênesis 24:51).

Mas também era possível que o jovem declarasse sua preferência pessoal que refletia sua afeição por alguém (cf. Gênesis 34:4; Juízes 14:2). Foi assim com Jacó, que firmou um acordo diretamente com o pai de Raquel, a jovem por quem estava apaixonado (Gênesis 29).

Como um cristão deve namorar?

Apesar de a palavra “namoro” não poder ser encontrada na Bíblia, isso não significa que não existam princípios bíblicos que devam ser aplicados ao namoro cristão. A Bíblia não deixa nenhum cristão sem respostas acerca de como deve ser um namoro de acordo com o padrão moral de Deus. Alguns pressupostos bíblicos servem para nortear os cristãos em seu relacionamento pré-nupcial.

O namoro deve objetivar o casamento

Em primeiro lugar, não há a mínima possibilidade biblicamente de justificar um namoro cuja pretensão não seja o casamento. A ideia de namorar apenas para não ficar sozinho, para se divertir ou mesmo para ir testando compatibilidade, é errada diante de Deus. O namoro do cristão deve ter como meta clara o casamento. É verdade que infelizmente nem todos os cristãos namoram para casar.

O namoro deve ser firmado entre cristãos

Em segundo lugar, para o bem de sua vida espiritual e até de seu próprio relacionamento, um cristão não deve namorar com um não cristão. Desde o Antigo Testamento Deus adverte o seu povo acerca do perigo do relacionamento com pessoas que não professam sua mesma fé (Esdras 9:12; Neemias 13:26; Amós 3:3; 1 Coríntios 7:39).

Algumas pessoas podem argumentar que o contexto dessas advertências era outro. Porém, o princípio moral que fundamenta cada uma delas é atemporal e permanece o mesmo até hoje. Não há como duas pessoas que possuem perspectivas completamente diferentes acerca da vida terrena e da vida eterna, conseguir estabelecer um relacionamento sólido e perpétuo.

Aqui também é importante ressaltar que nem todos aqueles que se dizem cristãos são candidatos em potencial para um namoro. Há cristãos confessos que jamais experimentaram o novo nascimento. Eles ostentam uma vida de pura aparência que é apoiada numa fé vazia e simplesmente histórica. Por isto o cristão deve ter muita calma quando o assunto é namoro e orar pedindo a direção do Senhor.

O namoro deve refletir a santidade para qual o cristão é chamado

Em terceiro lugar, o namoro do cristão deve se harmonizar com a verdade de que ele é o templo do Espírito Santo. Esse ponto obviamente inclui todos os aspectos que possam comprometer essa condição.

Mas é claro que em se tratando de namoro, a recomendação especial fica por conta da questão da sexualidade. Apesar de a sociedade chamar de comum e até saudável o relacionamento sexual entre namorados, a Bíblia chama isso de fornicação. Qualquer relacionamento sexual fora do contexto do casamento é tratado na Bíblia como imoralidade (1 Coríntios 6:9,18; 2 Timóteo 2:22).

O namoro deve ocorrer no tempo certo

Em quarto lugar, o cristão deve se atentar ao tempo certo para namorar. Se o objetivo do namoro é conduzir ao casamento, não faz sentido que um cristão namore anos e anos. Aqui serve o conselho do escritor de Eclesiastes. Ele diz: “Para tudo há uma ocasião, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1).

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O namoro não é obrigatório

Em quinto lugar, ninguém é obrigado a namorar, noivar e casar. Sim, o relacionamento conjugal entre homem e mulher é uma dádiva divina; mas a Bíblia também abre espaço para a possibilidade do celibato. Esse ponto é importante porque muita gente pensa que escolher ficar sozinho, sem construir uma família, é algo que desagrada a Deus.

Porém, a pessoa que resolve adotar a opção do celibato deve conhecer muito bem os seus limites. Daí vem o conselho do apóstolo Paulo: “Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo” (1 Coríntios 7:9).

Deus sempre deve vir antes de qualquer pessoa ou relacionamento

Por fim, todo cristão que decide querer iniciar um relacionamento com alguém objetivando a construção de um lar, jamais deve deixar que qualquer elemento desse relacionamento ocupe o lugar de Deus. O primeiro passo para um namoro, noivado ou casamento, é sempre colocar Deus em primeiro lugar, no centro do relacionamento.

Jesus resume os dez mandamentos em dois que são fundamentais a todos os outros. Ele diz: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mateus 22:37-39).

Perceba que nosso Senhor diz que primeiramente devemos amar a Deus, e depois, consequentemente, amar o próximo. Isso significa que o nosso relacionamento com Deus deve ser a base para o sucesso de qualquer outro relacionamento, seja ele a amizade, o namoro, o noivado ou casamento.

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