O Que São Sacramentos ou Ordenanças?

Sacramentos são ritos instituídos pelo Senhor Jesus que devem ser observados pela Igreja. Mas nem todas as tradições cristãs adotam a designação “sacramentos”. A Igreja Oriental, por exemplo, adota a designação “mistérios”. Alguns grupos protestantes também preferem o termo, “ordenanças”, ao invés de “sacramentos”.

A palavra “sacramento” tem origem no termo latino sacramentum, que originalmente era aplicado de duas maneiras. Em primeiro lugar, a palavra sacramentum definia o juramento militar feito por legionários romanos. Esse juramento tinha implicações religiosas e jurídicas, e através dele o soldado romano se coloca em total lealdade e dedicação ao imperador. Em segundo lugar, essa mesma palavra indicava uma quantia depositada como penhor nos tribunais com certo propósito sagrado.

Com o tempo, a palavra sacramentum passou a ser aplicada para se referir ao conceito de um rito sagrado que incorporava tanto a ideia de penhor quanto a ideia de juramento de lealdade. Então no sentido teológico, a palavra sacramentum passou a ser empregada para indicar a sacralidade dos ritos cristãos divinamente instituídos por Cristo que devem ser observados com lealdade pelos crentes.

Esse tipo de uso da palavra “sacramento” surgiu no período da formulação das doutrinas; ou seja, muito depois dos tempos bíblicos do Novo Testamento. Além disso, quando a Bíblia foi traduzida para o latim, o termo grego mysterion algumas vezes foi traduzido por sacramentum, indicando algo que passou a ser revelado. Isso também ajuda a explicar por que a Igreja Oriental adota a designação “mistérios”.

Quantos sacramentos existem?

Por muitos séculos a palavra sacramento foi aplicada num sentido muito amplo para falar de qualquer rito ou coisas que são caras à Fé Cristã. No século 12 d.C., por exemplo, alguns teólogos falavam em mais de trinta sacramentos.

Mas foi nesse mesmo período que surgiu uma fórmula de determinava que havia sete sacramentos, restringindo o sentido da palavra “sacramento”. A tradição católica adota essa fórmula e reconhece oficialmente sete sacramentos:

  • Batismo — o início da vida cristã;
  • Confirmação — ocasião em que o batismo é confirmado;
  • Penitência — uma segunda justificação para aqueles que, por pecado mortal, perdem a graça salvadora anteriormente recebida no batismo;
  • Matrimônio — quando um casal se une em matrimônio recebe uma nova graça administrada sacramentalmente para fortalecer sua vida conjugal;
  • Ordenação — quando um indivíduo é ordenado ao sacerdócio, ele recebe poder e autoridade para ministrar graça aos outros por meio dos sacramentos;
  • Extrema Unção — transmite graça a uma pessoa doente antes da morte para que ela possa se apresentar a Deus, num tipo de “cura da alma”;
  • Eucaristia — através dos elementos da Ceia, os fieis tem acesso à graça santificadora ao se alimentarem de Cristo.

Já a tradição protestante rejeita essa classificação e reconhece como sacramentos apenas aqueles ritos que foram diretamente instituídos por Jesus Cristo com ordem expressa para sua observância e continuação, e que fazem parte da revelação do Evangelho ao servirem como sinais dos atos divinos. Então como apenas dois ritos se enquadram nesse perfil, a Igreja Protestante reconhece apenas os sacramentos do Batismo e da Ceia do Senhor.

Inclusive, o reformador Martinho Lutero censurou abertamente a classificação católica dos sacramentos, dizendo que esse sistema não passava de sacerdotalismo; reprovando a ideia de que a salvação podia ser comunicada por meio de um sacerdote.

Nesse ponto, a teologia reformada ainda enxerga uma conexão entre os dois sacramentos cristãos e os ritos obrigatórios para os judeus no Antigo Testamento, isto é, a circuncisão e a Páscoa. Então assim como esses ritos tinham a ver com a identificação do povo de Deus na Antiga Aliança, os sacramentos são sinais da Nova Aliança.

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É correto usar a palavra “sacramento”?

Alguns cristãos protestantes, principalmente os batistas, não acham correto o uso da palavra “sacramento”. Essa discussão se deve, principalmente, numa tentativa de se afastar de qualquer definição similar àquela adotada pela Igreja Católica.

A questão é que a teologia católica enxerga os sacramentos como meios de graça no sentido de que a graça age por meio da operação das obras. O problema é que esse ensino resulta no conceito de que os sacramentos comunicam, em si mesmos, graça salvadora às pessoas à parte da fé.

Já a teologia reformada enxerga os sacramentos como sinais e selos. Como sinais, os sacramentos são provas visíveis da graça de Deus em Cristo; são sinais exteriores das bênçãos da aliança do Senhor com os redimidos. Por exemplo: o Batismo nas águas é um sinal da obra regeneradora operada pelo Espírito Santo na vida do redimido; assim como a Ceia do Senhor é um sinal da obra redentora de Cristo quando seu corpo foi sacrificado e seu sangue derramado.

Como selos, os sacramentos são provas da autenticidade do relacionamento pactual de Deus com seu povo. Nesse aspecto, os sacramentos são garantias das promessas invioláveis de Deus na redenção; indicando que de fato os crentes recebem todos os benefícios conquistados por Cristo.

Dessa forma, em certo sentido os sacramentos até podem ser vistos como meios de graça, não porque eles salvam alguém ou são indispensáveis à salvação, mas porque através deles Deus fortalece a fé dos crentes, levando-os a estarem mais engajados em seu serviço segundo à sua Palavra. Então a base dos sacramentos não está em si mesmos, ou na fé e autoridade de quem os ministram, mas na fidelidade de Deus que deu ao seu povo esses sinais.

Portanto, desde que fique sempre claro o significado bíblico correto desses ritos, não há qualquer problema em usar a palavra “sacramento”. Isso porque o uso dessa palavra pelos protestantes não é uma questão doutrinária, mas apenas designativa. Por esse motivo, muitos estudiosos protestantes — inclusive batistas — aplicam os termos “sacramentos” e “ordenanças” de forma indistinta, considerando-os sinônimos.

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