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O Que é o Sacerdócio Segundo a Ordem de Melquisedeque?

A Bíblia fala sobre o sacerdócio de Cristo segundo a ordem de Melquisedeque, e isso faz com que muita gente fique em dúvida sobre o que é a “ordem de Melquisedeque” e qual o seu significado. Para entendermos isso, primeiramente precisamos entender que Melquisedeque foi um rei que viveu no tempo do patriarca Abraão.

Como ele era contemporâneo de Abraão, obviamente ele não pertencia a sua linhagem, portanto, ele não fazia parte do povo judeu. Mesmo assim, a Bíblia diz que ele era sacerdote de El Elyon, isto é, do Deus Altíssimo, e seu sacerdócio era tão legitimo que o próprio Abraão pagou dizimo a ele e foi abençoado por ele (Gênesis 14).

Os textos bíblicos que falam sobre a ordem de Melquisedeque

Para entendermos o que é a ordem de Melquisedeque, devemos considerar especialmente dois textos bíblicos. São eles: Salmo 110:4 e Hebreus 7. No primeiro, o salmista Davi, em um salmo messiânico, faz uma comparação direta entre o sacerdócio de Melquisedeque e o sacerdócio do Messias:

Jurou o Senhor, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque.
(Salmos 110:4)

Já o escritor da carta aos Hebreus, com base no relato do livro de Gênesis em conexão com o salmo messiânico de Davi, explora de forma bastante detalhada essa comparação entre Cristo e Melquisedeque. Ele próprio cita diretamente o salmo de Davi:

Mas este com juramento por aquele que lhe disse: Jurou o Senhor, e não se arrependerá; Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque,
(Hebreus 7:21)

O que significa a ordem de Melquisedeque?

Com base nesses textos, podemos facilmente entender o significado da expressão “ordem de Melquisedeque”. Para isso, vamos fazer uma exposição simples do capítulo 7 de Hebreus.

Como o próprio nome da epístola deixa claro, o escritor estava escrevendo para judeus, e, basicamente, no capítulo 7, utilizando a própria Bíblia judaica (o Antigo Testamento), ele mostra a superioridade do sacerdócio de Cristo em relação ao sacerdócio da casa de Levi, construindo sua argumentação sob o relato de Gênesis 14, onde o sacerdócio de Melquisedeque é um exemplo do sacerdócio de Cristo.

O escritor, em sua exposição, conclui que Melquisedeque é superior a Abraão e, consequentemente, seu sacerdócio também é superior ao de Arão. Abraão pagou dízimo a Melquisedeque, e Melquisedeque o abençoou, fato que determina tal superioridade.

Abraão é o ancestral de Levi, cuja linhagem pertencia todos os sacerdotes, e o sacerdócio de Melquisedeque foi anterior ao sacerdócio da tribo de Levi. Apenas os filhos de Levi que receberam o sacerdócio é que podiam tomar o dízimo, mas Melquisedeque, que não pertenceu àquela genealogia, tomou dízimo de Abraão e o abençoou (Hb 7:6).

Um detalhe muito importante explorado pelo autor de Hebreus, é que a linhagem de Melquisedeque não é revelada. Ele escreve que Melquisedeque foi “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hb 7:3), e isso é muito significativo, pois todo sacerdote deveria ter descendência comprovada na tribo de Levi, e todos eles (os sacerdotes) tiveram suas mortes atestadas, sendo então substituídos por outros. Porém, nada é dito sobre a morte de Melquisedeque, e muito menos sobre sua origem. Ele apareceu e desapareceu.

Isso não implica em algo sobrenatural em relação à vida de Melquisedeque, mas o objetivo da exposição do capítulo 7 é evidenciar que, assim como ele foi rei e sacerdote antes da Lei, e reconhecido dessa forma pelo grande patriarca Abraão, o sacerdócio de Cristo também era legitimo e muito superior ao sacerdócio iniciado em Israel com Arão, além de que, o sacerdócio de Cristo permanece para sempre.

Jesus não descendia da tribo de Levi, portanto, pela Lei, não poderia ser sacerdote (Hb 7:14; 8:4). Mas o sacerdócio de Cristo não foi feito pela Lei, mas segundo a virtude da vida incorruptível (Hb 7:16) e perfeito para sempre (Hb 7:28). Para que houvesse um sacerdote que não fosse da tribo de Levi, a Lei precisaria ser mudada (Hb 7:12), porém em Jesus, o escritor explica que todo o sacerdócio pela Lei era temporário, pois Cristo é o último e supremo Sumo Sacerdote.

Os sacerdotes tinham a função de serem intermediários entre o do povo e Deus, porém Jesus é o único e suficiente intermediário. Não há mais necessidade de sacrifícios, pois Ele ofereceu-se a si mesmo uma única vez como sacrifício (Hb 7:27). Saiba mais sobre quem eram os sacerdotes na Bíblia.

Basicamente, o escritor de Hebreus estava dizendo que se um judeu convertido ao cristianismo voltasse ao judaísmo, ele estava necessariamente andando para trás, pois estava voltando a um sistema ultrapassado, e recorrendo a um tipo de sacerdócio inferior ao de Cristo.

Outro ponto interessante nessa comparação é a questão dos significados dos nomes “Melquisedeque” e “Salém”, que, conforme já foi dito, o escritor traduz como “rei de justiça” e “rei de paz” (Hb 7:2), tipificando o reinado de justiça e de paz do Messias e confirmando o que foi dito através da profecia do profeta Isaías (Is 9:6,7).

Aqui podemos nos lembrar do que foi dito pelo apóstolo Pedro, ao declarar que, através da obra perfeita do Sumo Sacerdote que é Cristo, nós somos geração eleita, povo adquirido, nação santa e sacerdócio real (1Pe 2:9).

Portanto, ao utilizar a figura de Melquisedeque, bem como a expressão “segundo a ordem de Melquisedeque” que foi sacerdote antes da Lei, o texto bíblico não esta fazendo referência a uma “ordem” ou “linhagem secreta” de super sacerdotes, mas estava mostrando que antes de Deus ter instituído pela Lei o sacerdócio na casa de Levi, Cristo já era mediador e Sumo Sacerdote de seu povo.

Aplicativo de Estudo Bíblico

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