Parábola do Credor Incompassivo

A Parábola do Credor Incompassivo é uma das parábolas de Jesus que está registrada no Evangelho de Mateus (Mateus 18:23-35). O significado da Parábola do Credor Incompassivo revela a importância da misericórdia e do perdão. Essa parábola também é conhecida como a Parábola do Servo Ingrato ou a Parábola do Servo Mau.

Na Parábola do Credor Incompassivo Jesus fala que o reino dos céus pode ser comparado a um rei que desejava acertar as contas com seus servos. Um desses servos lhe devia dez mil talentos. Como o servo não tinha como pagar a conta, o rei mandou que ele, sua esposa e seus filhos, fossem vendidos com tudo o que possuíam para que a dívida fosse quitada.

Então o servo prontamente se prostrou diante do rei e suplicou por misericórdia. Ele disse: “Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo” (Mateus 18:26). Diante do pedido do servo, o rei teve muita compaixão, cancelou a dívida e o deixou livre.

Depois disso o servo que teve sua dívida perdoada se encontrou com um de seus conservos que lhe devia cem denários. Ele agarrou esse homem e começou a sufocá-lo enquanto exigia o pagamento da dívida. Então o conservo se prostrou diante dele e implorou por misericórdia. Mas o homem não teve compaixão do devedor e mandou que o lançassem na prisão até que ele lhe pagasse a dívida.

Quando os outros servos viram o que tinha acontecido, tão logo foram contar ao rei. Então o rei chamou o servo incompassivo e lhe disse que ele também deveria ter usado de misericórdia com seu conservo, da mesma forma com que ele recebeu misericórdia antes. Indignado, o rei entregou aquele servo mau aos torturadores até que ele pagasse sua dívida.

Jesus termina a Parábola do Credor Incompassivo fazendo um importante alerta. Ele diz: “Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão” (Mateus 18:35).

Contexto da Parábola do Credor Incompassivo

Jesus contou essa parábola antes de deixar a Galiléia e partir para a Pereia, um território da Judéia que ficava a leste do rio Jordão. A Parábola do Credor Incompassivo serviu de resposta a um questionamento de Pedro acerca do perdão.

Essa parábola aparece num contexto em que Jesus trata da disciplina eclesiástica; especialmente com relação ao tratamento que deve ser dispensado a um irmão culpado (Mateus 18:15-20). Diante disso, o apóstolo Pedro perguntou a Jesus sobre quantas vezes se deve perdoar a um irmão culpado.

O apóstolo perguntou se ele deveria perdoar até sete vezes aquele que lhe ofendesse. Mas Jesus indicou que o compromisso com o perdão deveria ser muito maior, a saber, setenta vezes sete. (Mateus 18:21,22). Foi nesse ponto que Jesus introduziu a Parábola do Credor Incompassivo.

Explicação da Parábola do Credor Incompassivo

Jesus formulou uma narrativa com elementos bastante familiares aos seus ouvintes. Ele fala de um senhor poderoso, um rei, que chama seus servos para acertar as contas com eles. Esses servos logicamente parecem ser oficiais de grande importância em seu reino.

Talvez Jesus tivesse em mente os governadores de províncias que tinham o dever de cobrar os impostos reais e repassar o valor arrecado ao rei. Isso pode explicar o tamanho da dívida do servo incompassivo.

O servo devia dez mil talentos. Um talento era a mais alta unidade monetária da época. Um talento equivalia a no mínimo seis mil denários romanos ou dracmas gregas. Um denário ou uma dracma era o soma paga como salário pela jornada diária de um trabalhador. Isso significa que um operário precisaria de mil semanas para ganhar um só talento.

Então mesmo para um administrador de província a soma de dez mil talentos era uma quantia impagável. Alguns comentaristas arriscam uma projeção do que significaria uma quantia de dez mil talentos na atualidade e sugerem um montante de no mínimo dez milhões de dólares.

Jesus não explica como o servo incompassivo acumulou uma divida tão grande. Na verdade esse detalhe não tem importância para a mensagem da parábola. O grande objetivo é mostrar que o servo tinha uma dívida a qual não podia pagar.

O fato de o rei ter ordenado que o servo devedor fosse vendido para o pagamento da dívida, juntamente com sua família e seus bens, está de acordo com o contexto histórico da época. Essa prática não era incomum naquele tempo. Além disso, parece claro que mesmo essa ação pagaria apenas parte da dívida.

Após ter tido sua dívida perdoada, Jesus diz que o servo incompassivo também tinha um devedor. Mas seu devedor lhe devia apenas cem denários. Isso equivalia a seiscentésimo milésimo da divida cancelada de dez mil talentos.

Mesmo assim ele não demonstrou compaixão e agiu com maldade para com seu devedor. A dívida era tão pequena que ele não tinha o direito de vender seu conservo para reaver o valor; mas legalmente ele poderia exigir sua prisão e submetê-lo a trabalhos forçados para liquidar a dívida.

Quando o rei soube disso, entregou o servo incompassivo aos torturadores. O texto original usa um termo grego que indica oficiais designados pelos tribunais, cuja tarefa era torturar aqueles que tinham cometido crimes terríveis. Quando o rei diz que o servo incompassivo deveria ser torturado até que a dívida fosse paga, obviamente isso significava que ele jamais escaparia de seu tormento. Isso porque sua dívida era impagável.

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O significado da Parábola do Credor Incompassivo

Como fica claro, a Parábola do Credor Incompassivo ilustra o ensinamento de Jesus acerca de como se deve tratar a um irmão culpado. O significado principal dessa parábola é demonstrar a importância de se ter um espírito generoso que está disposto a demonstrar misericórdia àqueles que o ofende.

A alta quantia da dívida que o rei perdoou ilustra a imensurável dívida do pecado que todos os homens possuem diante de Deus. Ninguém seria capaz de pagar tamanha dívida! Mas em Cristo Jesus, Deus perdoou todos os nossos delitos. Na cruz, Jesus não apenas pagou o preço pelo pecado de forma geral, mas quitou todos os nossos delitos; Ele eliminou a culpa de cada um dos nossos atos particulares de pecado (Colossenses 2:13).

Então o pecador perdoado deve sempre agir sob a base da misericórdia perdoadora. O mínimo que se espera daquele que foi perdoado é que também demonstre perdão. Na verdade um coração que não perdoa também é um coração não perdoado. Por isso nesse ponto deve haver muito cuidado.

W. Hendriksen observa que a Parábola do Credor Incompassivo nos ensina que os homens só podem ter certeza de que suas dívidas foram canceladas, se eles mesmos também cancelarem as dívidas daqueles que estão endividados em relação a eles. Isso significa que eles só podem experimentar a certeza do perdão, se estiverem dispostos a perdoar as ofensas cometidas contra eles. Além disso, por parte daquele que foi perdoado jamais deveria ser difícil perdoar, visto que a divida que Deus lhe perdoou é infinitamente maior do que aquela que os homens lhe devem.

Um verdadeiro cristão jamais deve se comportar como o credor incompassivo. Seu exemplo maior de perdão e misericórdia é Cristo. Todos nós somos devedores de Deus. Mas assim como Deus nos perdoa, devemos estar sujeitos a perdoar a todos aqueles que pecam contra nós. Esse perdão deve ser abundante, não apenas sete vezes mais, mas setenta vezes sete!

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