Quem Foi Enoque na Bíblia?

Enoque é um dos personagens mais conhecidos do Antigo Testamento, apesar das poucas referências acerca dele. Antes de falarmos sobre quem foi Enoque, também é preciso saber que em Gênesis existem dois Enoques, e não podemos confundi-los. O outro Enoque citado em Gênesis é o filho mais velho de Caim (Gn 4:17), que deu nome à cidade edificada por seu pai.

Quem foi Enoque?

Enoque foi filho de Jarede e pai de Metusalém (Gn 5:18,21), pertencente à descendência de Sete, através da qual o conhecimento de Deus foi preservado. Enoque tinha um relacionamento profundo com Deus, pois a expressão “andou com Deus” é aplicada somente à Enoque e Noé (Gn 5:24; 6:9).

Enoque viveu 365 anos, antes de ser trasladado corporalmente ao céu, para estar na presença de Deus. Assim, Enoque, juntamente com o profeta Elias, foram os dois homens do Antigo Testamento que não experimentaram a morte (Gn 5:24; 2Rs 2:1-11). Isso prova que a imortalidade ou a vida após a morte, foi ensinada no primeiro período do Gênesis.

No judaísmo posterior, pelo fato de Enoque ter sido trasladado para o céu, criou-se uma tradição apocalíptica, onde Enoque estaria relatando segredos dos céus e do futuro.

Enoque no Novo Testamento

No Novo Testamento, Enoque é citado na genealogia presente em Lucas 3:37 e também é citado na Epístola aos Hebreus:

Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus.
(Hebreus 11:5)

No capítulo conhecido como “Galeria dos Heróis da Fé“, o escritor aos Hebreus atribuiu o arrebatamento de Enoque à sua fé notável, cuja qual o conduziu a um “testemunho de que agradara a Deus”.

Há também uma citação na Epístola de Judas (Jd 1:14), a qual os estudiosos discutem sobre a fonte que Judas realmente utilizou, se tradição escrita ou oral. A citação em questão é de caráter messiânico, e possivelmente é uma citação de Deuteronômio 33:2 presente em 1Enoque 1:9.

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Os Livros de Enoque

Foram encontrados três livros que trazem o nome de Enoque como autor, sendo eles: Primeiro Livro de Enoque, Segundo Livro de Enoque e Terceiro Livro de Enoque. O conteúdo dos livros contém algumas semelhanças.

O mais famoso deles, o Primeiro Livro de Enoque, é amplamente conhecido pela sua versão Etíope. O Livro de Enoque já existia no período apostólico, e também era conhecido por alguns pais da Igreja como Clemente de Alexandria, Irineu e Tertuliano, mas seu original acabou desaparecendo, sobrando apenas fragmentos em grego e etíope. Em Qumram, em umas das grutas, foram encontradas partes de manuscritos de 1 Enoque escritos em aramaico.

Apesar dos livros sugerirem uma suposta autoria de Enoque, a data mais recuada para a autoria dos fragmentos encontrados é de 200 a.C., estendendo-se até o século 1 d.C. Grande parte dos estudiosos considera que os livros não possuem qualquer chance de terem sido escritos por Enoque, embora alguns considerem que o Primeiro Livro de Enoque, pode conter algumas citações do próprio Enoque que foram preservadas e transmitidas por tradição oral. De maneira geral, os livros de Enoque são considerados pseudoepígrafos, ou seja, são escritos judaicos que nunca se aproximaram da posição canônica e que também não encontram lugar nos chamados “Livros Apócrifos”.

Dentre os três livros, sem dúvida o mais importante é o Primeiro Livro de Enoque, cuja totalidade foi composta em diferentes ocasiões durante os dois últimos séculos depois de Cristo. Alguns estudiosos consideram que as seções mais antigas desse livro pertencem ao período dos macabeus. Esse livro tem alguma finalidade no tocante aos estudos do período intertestamentário, lançando luz ao pano de fundo desse período, e fornecendo algumas informações sobre a teologia judaica pré-cristã, embora não possa ser considerado canônico em hipótese alguma.

Sobre a citação feita por Judas nos versículos 14 e 15, e que remetem a alguns trechos do Livro de Enoque (1:9; 63:8; 93:3), os estudiosos se dividem. Alguns acreditam que Judas fez uma citação de uma tradição oral, que também estava presente no Livro de Enoque. Outros acreditam que Judas estava intencionalmente citando uma literatura pseudoepígrafe usada por falsos mestres a fim de silenciá-los com seu próprio material.

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