Qual o Significado da Páscoa?

A Páscoa é uma celebração judaica instituída por Moisés seguindo uma ordem específica do próprio Deus. O significado da Páscoa para os cristãos está diretamente relacionado à morte e ressurreição de Cristo.

A primeira Páscoa judaica foi realizada no mês de Abibe (posteriormente chamado de Nisã), que corresponde ao período entre Março e Abril em nosso calendário. Esse mês se tornou o primeiro mês do calendário judaico. A Páscoa também está ligada à Festa dos Pães Asmos e a dedicação dos primogênitos.

O que significa “Páscoa”?

Páscoa significa “passar por cima”, do hebraico pessach, derivado do verbo passah, “saltar” ou “passar”. Esse significado faz referência à ocasião em Deus enviou a décima praga sobre o Egito, resultando na morte de todos os primogênitos, mas os israelitas nada sofreram.

Portanto, quando o juízo de Deus atingiu os egípcios, o Destruidor passou por cima das casas dos israelitas que estavam marcadas com o sangue do cordeiro que havia sido sacrificado. Desse modo, o significado “passar por cima” transmite o sentido de “poupar”, ou seja, passar por cima por misericórdia.

A história da Páscoa

Cerca de 500 anos antes da instituição da Páscoa, Deus falou com Abraão acerca do futuro de sua descendência, o povo de Israel. O Senhor o avisou de que os israelitas seriam peregrinos em terra alheia, seriam reduzidos à escravidão e oprimidos por 400 anos. Porém Deus também prometeu que julgaria a nação que dominaria seu povo, libertando-os da opressão (Gn 15:13,14).

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Mais tarde, José, bisneto de Abraão, foi traído por seus irmãos e vendido como escravo, e acabou parando no Egito. Depois de enfrentar muitas dificuldades, segundo o plano soberano de Deus, José se tornou o governador do Egito, ao liderar as ações que garantiram que o Egito tivesse mantimento numa época de terrível escassez.

A crise levou a casa de Jacó até o Egito em busca de alimento, onde descobriram que José havia sido exaltado por Deus naquela terra, e que ali a descendência de Abraão sobreviveria. Durante algum tempo os israelitas viveram com dignidade no Egito, mas José e toda aquela geração morreram, e chegou o tempo em que se levantou um faraó que não conheceu José e escravizou o povo de Israel (Êx 1:6-11).

Depois de 400 anos que os israelitas estavam no Egito, Deus levantou Moisés como libertador de seu povo. Esse processo envolveu dez pragas que o Senhor enviou ao Egito, sendo a última praga, que consistiu na morte dos primogênitos do Egito, o episódio que deu origem a celebração da Páscoa.

A origem e o significado da Páscoa judaica

Quando Deus anunciou a décima praga, Ele também deu instruções a Moisés de como os israelitas deveriam proceder. O Senhor ordenou que eles sacrificassem um cordeiro ou cabrito macho sem defeito no décimo quarto dia do mês de Abibe, e espargisse o sangue do cordeiro nos umbrais e no alto dos batentes das portas de suas casas.

Eles deveriam comer a carne do cordeiro assada no fogo, acompanhada de pães asmos e ervas amargas. Aqui podemos fazer a seguinte observação:

  • Pães asmos: eram pães sem levedura, ou seja, sem fermento. Os pães asmos deveriam ser comidos como lembrança da pressa durante o êxodo.
  • Ervas amargas: essas ervas estavam diretamente associadas ao sofrimento e a aflição dos tempos de escravidão (cf. Lm 3:15).

O Senhor também ordenou que eles comessem com pressa, com “os lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão” (Êx 12:11), pois naquela mesma noite Deus passaria sobre o Egito.

Quando o juízo de Deus atingiu o Egito, morreram todos os primogênitos, desde os homens até os animais, significando também a completa derrota dos deuses do Egito. O significado da Páscoa judaica está claramente registrado no livro do Êxodo, quando lemos:

E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que rito é este? Respondereis: Este é o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou (Êxodo 12:26,27).

A observância da Páscoa no decorrer da história dos hebreus

Moisés institui a Páscoa como uma celebração anual. Assim, a Páscoa é a festa judaica mais antiga. Os judeus deveriam celebrar a Páscoa seguindo as regras básicas que foram determinadas no Pentateuco (Êx 12; Lv 23; Dt 16).

Assim como a primeira Páscoa ainda no Egito, a festa anual era comemorada no crepúsculo do décimo quarto dia do primeiro mês, seguida de sete dias consecutivos (do décimo quinto ao vigésimo primeiro dia), denominados como “Festa dos Pães Asmos”.

O cordeiro macho e sem defeito de até um ano que seria sacrificado, era separado do rebanho por cada família no décimo dia do primeiro mês e guardados até o décimo quarto dia. O animal deveria ser assado inteiro, e sem que nenhum osso fosse quebrado.

O animal deveria ser comido muito rapidamente com as ervas amargas e os pães asmos. Os judeus também deveriam comer do cordeiro com trajes de viagem, para que a saída apressa do Egito fosse celebrada. As sobras do cordeiro também deveriam ser queimadas, pois não era permitido aproveitá-las no dia seguinte.

Durante a celebração da Páscoa o chefe de família explicava o significado do ritual às crianças. Depois, também foi instituída uma segunda Páscoa, um mês depois, para beneficiar aqueles que não puderam participar da primeira celebração (Nm 9:1-14).

Enquanto esteve peregrinando no deserto, o povo de Israel não celebrou a Páscoa, voltando a celebrá-la apenas quando já estavam acampados em Gilgal, sobre a liderança de Josué (Js 5:10). Há também outras referências bíblicas que fazem referência a celebração da Páscoa no Antigo Testamento (ex.: 2Cr 30:1-27; 35:1-19).

A Páscoa na época de Jesus

Os Evangelhos trazem várias passagens que relatam a celebração da Páscoa durante a vida de Jesus. Ele era levado por seus pais a Jerusalém todos os anos para a Festa da Páscoa (Lc 2:41). No Evangelho de João, por exemplo, encontramos pelo menos quatro referências a Festa da Páscoa (Jo 2:13,23; 6:4; 11:55; 12:1; 13:1; 18:28,39; 19:14).

Nessa época, o cordeiro era sacrificado na área do Templo, e seu sangue era lançado por um sacerdote sobre o altar. A refeição pascal podia ser comida em qualquer casa da cidade, sendo comum os judeus se reunir em grupos, assim como o grupo de Jesus e seus discípulos que se reuniu no Cenáculo, formando um tipo de unidade familiar.

Por ocasião da Páscoa, acredita-se que entre 60 e até 180 mil judeus compareciam em Jerusalém. Obviamente a maioria deles era formada por judeus da Diáspora, ou seja, judeus que viviam fora da Palestina. Os gentios não podiam participar da Páscoa, porém os prosélitos que aceitassem satisfazer as condições exigidas para tal celebração podiam participar dela.

Depois da queda de Jerusalém e da consequente destruição do Templo em 70 d.C., a Páscoa judaica passou a ser uma celebração intima e familiar, mais próxima do que foi no Êxodo, já que não era mais possível realizar todo o ritual feito no Templo.

O significado da Páscoa para os cristãos: Jesus e a Páscoa

O profeta Isaías profetizou acerca do Messias dizendo que como um cordeiro ele foi levado ao matadouro (Is 53:7). João Batista, falando acerca de Jesus, fez a importante declaração: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).

Jesus foi traído, preso e crucificado durante a Festa da Páscoa em Jerusalém. Tudo isso ocorreu, muito provavelmente, numa sexta-feira, embora alguns defendam a quarta-feira. Considerando a sexta-feira como a melhor posição, então na quinta-feira à noite Jesus e seus discípulos comeram o cordeiro pascal em Jerusalém.

Aquela foi a última ceia pascal, ou seja, a última vez que a instrução dada ainda no Egito deveria ser observada. Após aquele momento, ninguém mais deveria sacrificar um cordeiro, assá-lo e comê-lo com ervas amargas e pães asmos.

O Cordeiro de Deus seria sacrificado, num sacrifício perfeito e definitivo, sem a necessidade de qualquer complemento. Ao invés da carne de cordeiro assada, das ervas amargas e dos pães asmos, nosso Senhor instituiu o pão e o vinho em memória dele. Ao comermos o pão nos lembramos de seu corpo partido, quando tomamos o cálice nos lembramos do seu sangue derramado.

A última Páscoa deu lugar a primeira Ceia do Senhor, ou seja, a Páscoa passou a ser a Ceia do Senhor. Também é interessante notarmos que a Páscoa apontava para o futuro, para frente, era o símbolo do que haveria de vir, já a Ceia do Senhor aponta para o passado, para trás, como símbolo da promessa que se cumpriu.

Os cristãos devem celebrar a Páscoa?

A Páscoa é uma festa judaica, um símbolo que apontava para o sacrifício do Filho de Deus. Quando o Verbo se fez carne e habitou entre nós, ele cumpriu definitivamente o significado que a Páscoa tipificava. A Páscoa era a sombra, Cristo é a realidade.

Celebrar a Páscoa judaica é celebrar aquilo que era temporário, é voltar ao que é inferior. O escritor de Hebreus expôs essa verdade como o tema principal de sua epístola. Assim, Cristo é a nossa Páscoa perfeita.

O apóstolo Paulo foi claro quando escreveu que Cristo é o “nosso Cordeiro pascal” que foi sacrificado (1Co 5:7). Dessa forma, nós, cristãos, não celebramos a Páscoa uma vez por ano entre os meses de Março e Abril, mas nos reunimos para celebrar a Ceia do Senhor durante o ano todo, em memória de seu sacrifício no Calvário, onde seu sangue foi derramado satisfazendo a justiça de Deus, impedindo que o Destruidor nos lançasse em condenação eterna.

Para nós, a Páscoa significa que pelos méritos da obra de Cristo na cruz, a ira de Deus “passou por cima” das nossas vidas, pois nos umbrais de nossas portas seu precioso sangue atestou que fomos justificados. É por isso que num determinado sentido os cristãos não comemoram a Páscoa, antes, celebram a Ceia do Senhor.

Coelho, ovos e chocolates

Coelhos, ovos e chocolates foram elementos incorporados posteriormente à Páscoa. Geralmente as pessoas defendem o uso de tais elementos alegando que o ovo simboliza a nova vida e o coelho a fertilidade. Quanto ao chocolate, talvez a melhor explicação seja que, associado aos outros dois elementos, ele é bom para o comércio.

Seja como for, tais elementos não possuem qualquer ligação com a Páscoa judaica ou com a Ceia do Senhor. Infelizmente em muitas igrejas tais elementos são incorporados até mesmo num tipo de culto especial de Páscoa.

Por outro lado, há aqueles que na tentativa de se desvencilhar das praticas populares acabam cometendo outro erro, ao aderirem às praticas da Páscoa judaica, ou seja, em algumas igrejas na época da Páscoa come-se cordeiro assado, pães asmos e algum tipo de erva amarga. Em ambos os casos o que vemos é pura crendice. É o pragmatismo e o sincretismo religioso que lamentavelmente atrai cada vez mais adeptos.

Apesar da Páscoa judaica não ser uma data sagrada para nós, devemos agir com sabedoria e prudência, aproveitando essa data onde muitas famílias se reúnem para explicar o verdadeiro significado da Páscoa, desde sua origem, apontando para Cristo como o Cordeiro de Deus, até sua consumação no Calvário onde nossas correntes foram quebradas.

Além disso, devemos estar confortados na promessa de que o pleno significado da Páscoa será completamente cumprido no novo céu e na nova terra, onde o povo escolhido de Deus estará totalmente livre de todo pecado, e nossa comunhão com nosso Redentor será aperfeiçoada em toda plenitude (Lc 22:16; cf. Ap 3:21).

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