Qual a Melhor Tradução da Bíblia?

A melhor tradução da Bíblia é aquela que se conserva fiel ao texto original, e ao mesmo tempo consegue transmitir o sentido principal pretendido por ele. Em boa parte dos casos as diferentes versões disponíveis do texto bíblico cumprem esse quesito de forma satisfatória.

Pelo fato de existir uma grande variedade de versões, muitas pessoas ficam em dúvida sobre qual a melhor tradução da Bíblia disponível a qual devemos adotar. Para tentar responder a essa pergunta, vamos considerar alguns pontos importantes sobre as traduções bíblicas.

As traduções da Bíblia

O texto bíblico foi traduzido desde muito cedo. Ainda nos tempos do Antigo Testamento, alguns textos das Escrituras já eram traduzidos para atender necessidades específicas da época. A primeira grande e importante tradução bíblica foi a Septuaginta, que traduziu o texto do Antigo Testamento do original hebraico (e alguns trechos em aramaico) para o grego.

Pela predominância do idioma grego, e por ter sido composta no período intertestamentário, a Septuaginta foi a principal tradução da Bíblia utilizada pela Igreja Primitiva, inclusive sendo citada pelos escritores neotestamentários em suas epístolas.

Depois, na era cristã, surgiram várias outras traduções bíblicas para atender os idiomas em que o Evangelho se expandia. Sem dúvida a tradução mais significativa desse período foi a Vulgata, que é a tradução da Bíblia para o latim feita por Jerônimo, e que com o tempo se tornou a principal versão utilizada no Ocidente.

Já no período da idade média, algumas pessoas também se dedicaram a traduzir os textos bíblicos para idiomas mais específicos, como foi o caso de John Wycliffe, que a partir da Vulgata Latina organizou um projeto de tradução para o inglês.

Martinho Lutero também traduziu a Bíblia para o idioma alemão, começando pelo Novo Testamento e concluindo com a tradução do Antigo Testamento num projeto bem mais complexo.

Para o idioma espanhol, foi feita a conhecida versão Reina-Valera, assim como para o português surgiu a tradução Almeida. Em 1611, surgiu também a importante versão da Bíblia em inglês, a King James Version, que combinou alguns textos já traduzidos por Wycliffe e Tyndale.

As traduções da Bíblia e os textos originais

Não existem mais os textos originais escritos diretamente pelos escritores dos livros bíblicos. No entanto, cópias fieis foram feitas ao longo do tempo para replicar o próprio texto e também para preservá-lo, visto que as próprias cópias naturalmente se desgastavam com o uso.

Então, copistas fizeram copias dos originais, e depois cópias foram feitas de cópias, e assim por diante. Com base nisso, existe uma questão interessante relacionada ao texto grego do Novo Testamento e que é fundamental para se entender melhor os detalhes que diferenciam as traduções bíblicas disponíveis na atualidade. Na verdade, basicamente existem dois textos gregos:

  1. O texto crítico: com base nos manuscritos mais antigos que se tem conhecimento;
  2. O texto majoritário: com base na maioria dos manuscritos antigos, mas que datam de um período bem mais recente.

A grande pergunta a ser respondida é: qual desses dois textos é mais fiel aos originais? É bastante difícil responder a essa questão, especialmente porque não se sabe o motivo exato pela qual os manuscritos mais antigos foram preservados, visto que isso pode ter ocorrido ou porque eram muito fieis aos originais e por isso a Igreja os preservou, ou então por que eram discrepantes, e por isso foram guardados para que não fossem utilizados.

De qualquer forma, as diferenças entre o texto crítico e o texto majoritário podem ser consideradas como sendo mínimas, visto que tais diferenças não afetam de forma alguma os principais pontos da fé cristã e da teologia bíblica.

Como exemplos de tais diferenças, podemos citar: a frase final de Mateus 20:16, “porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos”, que não aparece nos manuscritos mais antigo; a parte final do último capítulo do Evangelho de Marcos; a narrativa sobre a mulher adúltera no Evangelho de João, e diferenças no capítulo 5 de 1 João.

As traduções da Bíblia e os métodos de tradução

Quando se fala na melhor tradução da Bíblia, também é preciso saber que existem dois métodos de tradução utilizados para traduzir a partir dos idiomas originais:

  1. Equivalência formal: esse método traduz palavra por palavra do texto original adotando seu equivalente exato no novo idioma.
  2. Equivalência dinâmica: esse método traduz a frase original adotando a expressão equivalente de forma dinâmica no novo idioma, ou seja, diferente do método de equivalência formal, esse método traduz o sentido da frase e não palavra por palavra.

Ambos os métodos possuem seus pontos positivos, e talvez a melhor solução seja uma combinação cuidadosa de ambos. O problema em se adotar apenas a equivalência formal é que muitas vezes na tentativa de ser fiel ao texto original acaba-se perdendo justamente sua fidelidade, pois não traduz de forma correta o sentido real que o autor pretendia passar.

Um exemplo disso é Colossenses 3:12, onde o apóstolo Paulo escreve: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade”.

A palavra grega traduzida como “entranhas”, splagchnon, realmente significa “tripas”, “intestinos”, etc., e era muito utilizada, visto que naquela época as entranhas eram consideradas como sendo a fonte das emoções mais profundas e extremas.

Todavia, em nosso idioma, a melhor tradução para essa palavra seria algo como “profundos afetos de misericórdia” no sentido de se ter um coração pleno de compaixão.

Por outro lado, quando se usa apenas a equivalência dinâmica de forma excessiva, sem ser podada com a os princípios da equivalência formal, corre-se o risco de também se obter traduções que se distanciam dos originais, ou mesmo de se perder o sentido principal de determinadas palavras.

Por exemplo, o livro do Apocalipse possui muita linguagem simbólica, e traduzir tudo de forma dinâmica pode prejudicar terrivelmente o sentido principal do texto, visto que é fundamental se preservar algumas designações do próprio texto a fim de compreendê-lo.

Além disso, o uso maciço da equivalência dinâmica dá origem não apenas a uma tradução, mas a uma paráfrase do texto bíblico, que tenta expressar o conceito original na linguagem mais popular possível.

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Qual a melhor tradução da Bíblia em português?

Considerando tudo o que foi apresentado acima, pode-se dizer que isso dependerá do objetivo da leitura. Algumas traduções bíblicas disponíveis em português se baseiam no texto crítico, enquanto outras se baseiam no texto majoritário. Umas utilizam o método de equivalência formal e outras o método de equivalência dinâmica.

De forma geral, em português, as traduções da Bíblia mais conhecidas são: as várias Almeidas (Corrigida, Fiel, Atualizada, Revisada), a Nova Versão Internacional (NVI), a versão da King James em português, e as paráfrases Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTHL), Viva e A Mensagem.

Tentando localizar onde essas versões da Bíblia se encaixam nos parâmetros de tradução discutidos acima, pode-se dizer, de forma bem simplificada, o seguinte: a Almeida Corrigida utiliza a equivalência formal de forma bastante extrema, ao contrário da Almeida Atualizada, que adota um método bem mais equilibrado.

Depois da Almeida Atualizada, podemos posicionar a NVI, como sendo uma tradução que tenta combinar a equivalência formal e a equivalência dinâmica. Já utilizando muito da equivalência dinâmica, temos a NTLH, e de forma bastante extrema, as versões Viva e A Mensagem.

Com base nessa classificação, cada leitor deve decidir qual a melhor tradução da Bíblia deve ser adotada de acordo com os objetivos pretendidos. Por exemplo, acredito ser muito complicado utilizar a tradução NTLH ou Viva para fazer a exposição do texto bíblico num sermão.

Particularmente, prefiro uma tradução que utiliza de forma equilibrada os dois métodos de equivalência, como é o caso da Almeida Atualizada. Com relação ao tipo de texto grego, também prefiro uma tradução que se baseia no texto critico, embora não considero que esse seja um ponto determinante.

Uma boa opção que também se aproxima dessas condições é a NVI. No entanto, também acho interessante que se tenha uma tradução da Bíblia numa linguagem mais popular, como a NTLH, especialmente para compará-la com traduções mais formais, como a Almeida Corrigida e a Almeida Fiel.

2 comentários em “Qual a Melhor Tradução da Bíblia?”

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