Um Tesouro Inestimável em Potes de Barro

A inversão de valores é algo característico dos dias em que vivemos. Ela está presente em todas as áreas da nossa sociedade e, infelizmente, também dentro das igrejas.

Sinceramente não acredito que já tenha havido uma geração de cristãos pior do que a nossa, e olha que a Igreja sempre enfrentou momentos difíceis durante a sua História. Ironicamente essa geração se auto-intitula “a geração do avivamento”, “a geração do arrebatamento” ou “a geração que vai povoar o céu”, quando em linhas gerais o melhor título seria “a geração dos blasfemos”.

Certa vez o apóstolo Paulo escreveu: “E temos este tesouro em potes de barro, para que o poder extraordinário possa ser de Deus, e não nosso” (2Co 4:7).

Você consegue perceber a contradição que há entre o pensamento do apóstolo e o pensamento de grande parte dos cristãos da atualidade?

Nesse versículo Paulo estabeleceu um duplo contraste: de um lado o tesouro da luz do Evangelho e o extraordinário poder de Deus e do outro a insignificância e fraqueza humana.

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Ao dizer “temos este tesouro”, o apóstolo se refere às boas novas da Salvação que recebemos do Senhor Jesus, uma dádiva de valor inestimável. Já a expressão “potes de barro” é uma ilustração do apóstolo para se referir ao corpo e a mente dos homens.

No entanto, a grande ênfase do versículo está na sentença: o poder extraordinário é de Deus, e não nosso. Deus é a fonte desse poder, e não nossas próprias realizações.

Quando o poder de Deus é revelado em homens insignificantes o resultado é estrondoso. Foi assim com um grupo de pescadores humildes e incultos que, capacitados pelo Espírito Santo, espalharam o Evangelho por todo o mundo (At 1:8).

O próprio Paulo, apesar de ter sido um homem bem preparado, certa vez escutou dos cristãos de Corinto que ele não tinha as qualidades de um bom orador, e que sua presença não impressionava ninguém (2Co 10:10). O que seria um desaforo para muita gente, para o apóstolo não era nenhum problema, pois ele havia compreendido que era sobre a sua debilidade que repousava o poder divino de Cristo (2Co 12:7-9), e ele sabia que não havia sido chamado para pregar o Evangelho com sabedoria humana, para que a cruz de Cristo não fosse esvaziada (1Co 1:17).

Agora voltando ao início do texto, quantos cristãos realmente entendem esse princípio tão sublime do Evangelho?

Ninguém mais quer ser “pote de barro”. Segundo os evangélicos atuais, bom mesmo é ser mais precioso do que o ouro. Para eles, o poder não está exatamente em Deus, mas na nossa capacidade em “determinar” o que queremos receber, ou seja, segundo esse novo evangelho que está sendo pregado, o poder de Deus passou a ser uma extensão da nossa autoridade.

As pessoas lotam igrejas, ruas e estádios não por causa do tesouro inestimável, mas por causa dos pobres potes de barro que se acham ser, pelo menos, folhados a ouro.

Boa parte dos cultos não é mais direcionada a Deus, mas é uma espécie de culto à autoestima e a autogratificação. Em tais reuniões o foco não está no triunfo de Cristo, mas no triunfo do homem sobre outros homens.

O que mais se ouve entre os crentes por aí são expressões como: “eu sou”, “eu posso”, “eu quero”, “eu tomo posse”, “eu sou ungido”, e tantas outras besteiras desse tipo. No entanto, ainda assim prefiro a expressão do apóstolo Paulo: “Miserável homem que sou” (Rm 7:24).

Na antiguidade os potes de barro eram muito utilizados para armazenar todo tipo de coisa, dos itens mais baratos aos mais valiosos, desde grãos e cereais até os mais caros vinhos. Apesar disto, o pote continuava sendo de barro, pois o valor estava no produto que ele armazenava e não em si mesmo. Se fosse tirado tal produto, então o pote de barro seria como qualquer outro, apenas um recipiente comum e, de tão barato, era facilmente descartável e substituível.

Isso significa que se temos algum valor, isto está diretamente relacionado ao que estamos armazenando, ou seja, não somos preciosos por causa das nossas capacidades e qualidades, mas exclusivamente pelos méritos de Cristo. Sem a reconciliação provida na cruz, somos apenas mais um pecador que merece o inferno.

Oro a Deus todos os dias pedindo para que Ele nunca permita que eu me esqueça de quem sou: um pote de barro. Sei que é no contraste entre a minha incapacidade e o extraordinário poder de Deus, que se revela sua maravilhosa graça através do inestimável tesouro do Evangelho. Sei que em qualquer coisa boa que eu venha fazer, a glória pertence ao Senhor.

Quando percebemos que somos apenas potes de barro, e que a autoridade do Evangelho não está em nós mesmos mas totalmente em Deus, não nos resta outra coisa a não ser dizer: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Rm 11:36).

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2 comentários em “Um Tesouro Inestimável em Potes de Barro”

  1. Parabéns pelo texto. Concordo com o que você discorreu. Realmente, hoje ninguém quer ser um vaso de barro, e é por isso que não sigo nenhuma igreja. Prefiro viver o Evangelho no meu dia a dia, no meu trabalho a frequentar uma igreja em que membros estão transformando homens em vasos de ouro em detrimento de si mesmos, que continuam vasos de barro e sem nenhum conteúdo.

    1. Carlos, não querendo causar nenhum tipo de discussão, mas apesar de muitos hoje se esquecerem que não passam de vasos de barro, ainda há muitas pessoas em muitas igrejas sérias que sabem que toda a honra pertence ao Senhor e que somos apenas servos….
      Graças a Deus congrego em uma igreja na qual damos valor a esse posicionamento e vejo o quanto é importante vivermos como corpo, unidos e nos importando com o nosso irmão, mas nunca deixando de afirmar que o cabeça é um só: Jesus Cristo, o Senhor.
      Deus abençoe!

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