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Visão Missionária, Autoritária ou Mercenária?

E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio;
Antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão, E os que não ouviram o entenderão.
(Romanos 15:20,21)

Nesse pequeno texto em sua Epístola aos Romanos, o Apóstolo Paulo nos ensina de forma muito objetiva qual a verdadeira motivação que deve estar presente quando uma igreja é plantada. Paulo nos mostra que seu principal alvo era proclamar as boas-novas aos que ainda não tinham ouvido essa maravilhosa mensagem. Ele justifica esse pensamento fazendo uma citação muito apropriada de Isaías 52:15. Com esse método de Paulo, podemos notar a diferença que há entre a visão missionária e as visões autoritária e mercenária. Essa é uma lição que boa parte dos líderes da Igreja contemporânea às vezes parece não conhecer.

Falando do nosso país, todos os dias novas igrejas são abertas e novas denominações surgem no meio evangélico. Considerando apenas o número oficial, ou seja, o número de igrejas que são abertas e legalmente registradas, pelo menos 5.000 novas igrejas surge por ano no Brasil. Entretanto, o número de igrejas que são abertas sem o devido registro é ainda maior, alcançando, segundo estimativas, cerca de 15.000 novas igrejas ao ano. Tomando apenas o número oficial de abertura de novas igrejas, chegamos ao incrível resultado de 13 novas igrejas abertas por dia.

A primeira vista, isso parece incrível, afinal é o “Evangelho” que está sendo pregado. Porém, quando lemos a Palavra de Deus, e nos deparamos com versículos como este da Carta aos Romanos, fica a sensação de que algo não está muito certo. Diante disso, há uma pergunta inevitável: Será que realmente é a oferta do Evangelho que está sendo priorizada?

Em um bairro vizinho ao que moro, em um único quarteirão, podemos contar cinco igrejas evangélicas. A proporção é de praticamente uma igreja para três casas do quarteirão. Na própria rua em que moro, existem doze igrejas evangélicas, sendo duas delas uma em frente à outra (sim, se você ficar na calçada você poderá participar de dois cultos simultaneamente). Até daria para entender se tais igrejas adotassem usos, costumes, doutrinas e confissões de fé diferentes, mas 83,7% delas são exatamente iguais. Usam a mesma linha teológica, possuem os mesmo costumes e adotam a mesma liturgia em seus cultos.

Diante desses números, penso que é muito difícil encontrarmos alguma justificativa plausível para esse “fenômeno evangelístico” que não seja uma dessas três hipóteses a seguir:

  1. A abertura de tantas igrejas é motivada pela visão missionária, no desejo de priorizar a oferta do Evangelho aos perdidos.
  2. A abertura de tantas igrejas é motivada pela visão mercenária, no desejo de priorizar as ofertas dos perdidos.
  3. A abertura de tantas igrejas é motivada pela visão autoritária, no desejo de priorizar a oferta de status que o cargo de “Pastor Presidente” confere.

Evidentemente a primeira hipótese é a mais defendida na teoria, mas a mais ausente na prática. Isso seria até engraçado se não fosse lamentável. Creio que o Apóstolo Paulo certamente sentiria menos desgosto andando pelas ruas de Jerusalém na época em que era duramente perseguido nessa cidade, do que andando em minha rua e vendo a banalização do Evangelho, que acaba dando origem a um “novo evangelho”, no melhor estilo À La Carte, onde você pode escolher em qual igreja ir com base em sua condição atual. Encontramos campanhas para problemas financeiros, emocionais, profissionais, físicos, espirituais, enfim, para todos os gostos. É triste que diante de um cardápio desses, a salvação é tida apenas como um acompanhamento adicional, ou, no máximo, uma sobremesa.

Após a conversão, Paulo se gastou pela pregação da Palavra. Ele foi um missionário nato, o maior plantador de igrejas da História do cristianismo. Sua obra missionária alcançou proporções territoriais impressionantes, numa época em que “um Apóstolo” não possuía a regalia de ter um jato particular a sua disposição. Ele pregou de Jerusalém até Ilírico, não pela fama, não pelo status, nem mesmo pelas ofertas (ele fazia questão de entregar o que arrecadava aos cristãos pobres), mas simplesmente pelo amor a mensagem da cruz. Ao mesmo tempo em que o Apóstolo se esforçava para anunciar o Evangelho, ele também evitava a todo custo uma espécie de concorrência evangelística.

Se em um único quarteirão podemos encontrar igrejas de cinco denominações diferentes, como poderemos defender que há unidade na Igreja como corpo de Cristo? Diante disso, a fragmentação fatalmente será a primeira percepção de alguém que está de fora.

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Não sou contra a abertura de novas igrejas, sou contra as razões que motivam a maioria das pessoas que abrem tais igrejas. É necessário que novas igrejas sejam plantadas, mas com a única intenção de propagar a mensagem do Reino. Se em um determinado quarteirão já existe uma igreja onde a Palavra genuína está sendo anunciada, em hipótese alguma se justifica a abertura de outra igreja para anunciar a mesma Palavra. Se a primeira igreja preza pela pregação do verdadeiro Evangelho, penso que se uma segunda igreja for aberta é porque, no mínimo, ela tem um novo Evangelho para anunciar.

Meu desejo sincero é que a Igreja verdadeira se comprometa cada vez mais com o evangelismo correto ordenado nas Escrituras. Bom seria se em cada quarteirão houvesse até mais do que cinco igrejas para poder comportar o número de cristãos verdadeiros, aqueles que se reúnem para a dedicação ao ensino da Palavra, à comunhão ao partir do pão e às orações (At 2:42). Mas sabemos que isso não é necessário, pois está muito longe da nossa realidade, já que não temos tantos cristãos verdadeiros assim. A prova disto é que as igrejas dos falsos mestres são as mais lotadas, as pregações que distorcem as verdades bíblicas são as mais aplaudidas, as músicas de auto-adoração são as mais entoadas, e o falso evangelho o mais defendido. Isso já era de se esperar, pois Cristo e sua mensagem é pedra de tropeço e rocha de escândalo para os que não são chamados efetivamente por Deus, de modo que é impossível fazer marketing com o Evangelho da Graça, pois ele ofende o homem não regenerado (1Pe 2:7,8). Mas uma coisa é verdade: hoje, edificar em fundamento alheio se mostrou um ótimo investimento, tanto para o bolso quanto para o ego.

Sobre Daniel Conegero

Daniel Conegero
Daniel Conegero é o líder do Projeto Estilo Adoração. Começou a pregar a Palavra de Deus com apenas 3 anos de idade. Aos nove anos começou a compor e liderar o louvor na igreja. É professor de Teologia e também da Escola Bíblica Dominical na igreja em que congrega. É formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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