Como Identificar Uma Igreja Verdadeira?

A Igreja verdadeira é aquela que tem Cristo como seu fundamento e edificador. Consequentemente, a Igreja verdadeira tem a Escritura como sua única regra de fé e prática, é comprometida com a proclamação do Evangelho, e zela por guardar e cumprir tudo o que o Senhor Jesus ensinou.

Nesse sentido, é fácil perceber que a Igreja verdadeira não está relacionada a uma denominação específica, a uma região especifica ou a uma cultura específica. A Igreja verdadeira é interdenominacional, universal e multicultural. O Senhor Jesus Cristo ordenou que o seu Evangelho fosse pregado a todos os povos. Então a Igreja verdadeira está presente até os confins da terra (cf. Mateus 28:18; Atos 1:8).

Mas a Igreja verdadeira, embora seja universal, ela se organiza e se expressa através de comunidades locais. Foi assim desde os primeiros anos da Igreja Cristã. Já no tempo da Igreja Primitiva havia igrejas locais espalhadas por todo o Império Romano.

Apesar de a Igreja Cristã ter experimentado uma centralização e unidade organizacional durante um tempo — especialmente com o fim das grandes perseguições romanas — a verdade é que em grande parte de sua história a Igreja esteve fragmentada em diversos grupos. Alguns desses grupos, no entanto, acabaram se afastando dos verdadeiros princípios bíblicos que caracterizam a Igreja genuína.

Sem dúvida a maior divisão da Igreja ocorreu por ocasião da Reforma Protestante. Mas a Igreja Reformada, apesar de unificada em torno dos pilares teológicos que definiram a própria Reforma, também sempre esteve fragmentada em diversos grupos que, inclusive, divergiam entre si em questões secundárias. Ao mesmo tempo, a Igreja Romana continuava advogando para si o título de única Igreja verdadeira.

Mas especialmente por causa da diversidade dentro do protestantismo, surgiu a preocupação entre os cristãos protestantes sobre como identificar uma igreja verdadeira, no âmbito de comunidade local. Na Suíça, na Escócia e Holanda, por exemplo, havia as Igrejas Reformadas; na Alemanha havia a Igreja Luterana; na Inglaterra havia a Igreja Anglicana, etc. Todas elas eram igrejas verdadeiras?

As marcas de uma igreja verdadeira

Com o objetivo de responder ao questionamento sobre o que caracteriza uma igreja verdadeira, os reformadores falaram em marcas distintivas que devem ser comuns a uma igreja genuína, independentemente de sua tradição, forma de governo, localização etc. Nesse sentido, três marcas principais foram apontadas por eles.

Em primeiro lugar, uma igreja verdadeira é marcada pelo compromisso com o Evangelho. Isso quer dizer que uma igreja verdadeira sempre irá professar o Evangelho e jamais irá rejeitar qualquer uma de suas doutrinas essenciais. Por exemplo: uma igreja local ou denominacional que nega a doutrina da Trindade, a plena deidade e humanidade de Cristo, a pessoalidade do Espírito Santo, a salvação pela graça, a justificação somente pela fé, etc., não pode ser considerada uma igreja verdadeira.

Em segundo lugar, uma igreja verdadeira é marcada pela ministração correta dos sacramentos deixados pelo Senhor Jesus — a Ceia do Senhor e o Batismo. Apesar de haver diferenças entre os cristãos quanto ao entendimento de algumas questões que envolvem os sacramentos, uma igreja genuína sempre irá prezar pela observação e pela ministração regular deles.

No tempo da Reforma, por exemplo, surgiram alguns grupos que negavam os sacramentos, principalmente numa tentativa de se distanciarem dos erros teológicos da Igreja de Roma nessa área. Mas isso também era um erro. Os sacramentos são ordenanças designadas pelo próprio Senhor Jesus Cristo à sua Igreja, e não há como ser obediente a Cristo rejeitando essas ordenanças.

Em terceiro lugar, uma igreja verdadeira é marcada pela prática da disciplina. Uma das funções da Igreja é a edificação mútua de seus membros, e a disciplina cumpre um papel fundamental nesse sentido. A disciplina serve para auxiliar os crentes em seu crescimento na fé à medida em que refreia comportamentos e práticas não condizentes com a Palavra de Deus. A disciplina é um instrumento que leva os membros da Igreja a um maior compromisso com a santificação, e resguarda a comunidade de impurezas.

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Uma igreja verdadeira não é perfeita

Como a universal e apostólica Igreja de Cristo se expressa em diversas denominações e comunidades locais espalhadas pelo mundo, é esperado que essas denominações e congregações não sejam perfeitas em tudo. A verdade é que cada denominação ou igreja local possui algum grau de erro.

Além disso, a Igreja, em seu aspecto visível, é formada por uma mistura de joio e trigo, ou seja, crentes verdadeiros e crentes nominais, que congregam em suas inúmeras igrejas locais. Isso de fato indica que as congregações locais realmente não são infalíveis. No entanto, apesar de seus problemas, imperfeições e desafios, uma igreja verdadeira jamais irá negar as doutrinas bíblicas essenciais, e jamais deixará de transparecer as marcas que a distingue das falsas igrejas.

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