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Quem foi Daniel na Bíblia?

Daniel é um personagem bíblico citado no Antigo Testamento, e que possui um livro que leva seu nome. Sua história na Babilônia, suas visões e interpretações de sonhos e, sobretudo, o famoso episódio envolvendo a cova dos leões, fazem do Profeta Daniel um dos personagens mais conhecidos por todos. Neste estudo bíblico, aprenderemos sobre quem foi Daniel na Bíblia, conhecendo cada detalhe de sua biografia.

Quem foi Daniel?

Primeiramente precisamos saber que existem mais de um Daniel mencionado na Bíblia. Antes de falarmos do Profeta Daniel, conheceremos os outros personagens com o mesmo nome:

  1. Daniel filho de Davi, também chamado de Quileabe, foi o segundo filho do rei Davi com Abigail. Ele era mais velho que seus irmãos Absalão e Adonias, porém nada mais é registrado sobre ele (1Cr 3:1).
  2. Daniel descendente de Itamar e que acompanhou Esdras (Ed 8:2), também sendo um dos signatários do Pacto (Ne 10:1).
  3. No livro do Profeta Ezequiel existem referências a um personagem por nome de Daniel. Esse Daniel é citado como alguém muito justo e excepcionalmente sábio (Ez 28:3). Além disso, o Daniel citado em Ezequiel é comparado a Noé e Jó, como exemplos de justiça. A identidade desse personagem tem sido muito debatida ao longo dos anos. Alguns intérpretes defendem que se trata do Profeta Daniel, contemporâneo de Ezequiel e que estava no exílio babilônico. Outros defendem que esse personagem não é o conhecido profeta bíblico, baseando-se na diferença de grafia do nome em hebraico, algo como Dan’el ao invés de Dani’el. De acordo com essa sugestão, o Daniel citado no livro de Ezequiel poderia ser uma referência a um personagem heroico mencionado num texto ugarítico antigo. Esse personagem era um rei, conhecido por ser um governante extremamente justo, que se preocupava com as viúvas e com os órfãos. Se nesse caso, realmente o Daniel do livro de Ezequiel for uma referência a esse rei, então além de ser conhecido por sua integridade pessoal, ele tinha em comum com Noé e Jó o fato de não ser israelita.

Agora que conhecemos os outros personagens bíblicos com o nome de Daniel, vamos abordar a história do Profeta Daniel. Antes, também é interessante saber que o significado do nome Daniel é “Deus é meu Juiz”.

O Profeta Daniel

Daniel foi um profeta, o quarto dos chamados “Profetas Maiores”, e personagem principal do livro de Daniel presente no Antigo Testamento. Nada se sabe sobre sua vida além do que é relatado no livro que traz seu nome.

Sabemos que o Profeta Daniel foi um israelita de linhagem nobre e real (Dn 1:3), levado cativo de Judá para a Babilônia pelo rei Nabucodonosor, em aproximadamente 605 a.C., no terceiro ano do reinado de Jeoaquim, rei de Judá (Dn 1:1).

Na Babilônia, juntamente com outros companheiros com qualidades semelhantes a ele, Daniel foi educado para o serviço no Império Babilônico, sendo instruído sobre a língua e a civilização dos caldeus (Dn 1:4). Dentre os companheiros de Daniel na Babilônia, o relato bíblico destaca três nomes: Hananias, Misael e Azarias, também conhecidos por seus nomes babilônicos Sadraque, Mesaque e Abednego respectivamente. Conforme o costume babilônico que atribuía nomes que faziam referências as suas deidades, Daniel também recebeu outro nome, no caso Beltessazar.

O rei da Babilônia determinou que fossem servidas aos jovens capturados as mesmas iguarias que eram servidas no banquete real da corte pagã. Porém, Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia (Dn 1:8). Isso parece indicar que possivelmente o alimento real era conflitante as regras alimentícias estabelecida na Lei de Moisés.

Daniel então conversou com o chefe dos eunucos, a qual Deus fez com que Daniel achasse graça e misericórdia (Dn 1:8), para que ele não precisasse comer daquele banquete. Inicialmente, foi feito um acordo para que durante dez dias fosse servido a Daniel e seus três amigos apenas legumes e água. Ao final dos dez dias, eles seriam examinados e comparados com os demais jovens que estavam se banqueteando com as iguarias do palácio. Após dez dias, Daniel, Hananias, Mizael e Azarias estavam com aspecto mais saudável do que qualquer outro jovem.

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A Bíblia diz que Deus concedeu a estes quatro jovens, conhecimento e a inteligência em todas as letras e sabedoria, mas a Daniel, Deus também deu entendimento em toda a visão e sonhos (Dn 1:17).

Quando o período de treinamento determinado por Nabucodonosor terminou, os jovens foram conduzidos à presença do rei. Na ocasião, a Bíblia diz que não foram achados outros jovens tão capazes como Daniel, Hananias, Misael e Azarias, fazendo com eles ficassem assistindo diretamente diante do rei. O rei lhes fez várias perguntas sobre todos os assuntos nos quais se exigia conhecimento e sabedoria, e Daniel e seus três amigos se mostraram dez vezes mais sábios do que todos os magos e encantadores do Império Babilônico.

O Profeta Daniel interpreta os sonhos de Nabucodonosor:

O Profeta Daniel ganhou reputação inicialmente interpretando os sonhos do rei Nabucodonosor (Dn 2,4). Nabucodonosor havia tido um sonho que lhe deixou perturbado, e, convocando os magos, os encantadores, os feiticeiros e os astrólogos, pediu-lhes que revelassem não só o significado do sonho, mas o próprio conteúdo do sonho. Entretanto, eles não foram capazes de revelar o sonho ao rei, o que fez com que Nabucodonosor ordenasse que todos os sábios da Babilônia fossem executados, incluindo Daniel e seus amigos.

Ao saber disso, Daniel pediu um prazo para que revelasse ao rei o conteúdo do sonho e a interpretação do mesmo. Então, através de divina revelação, Daniel contou o sonho não revelado pelo rei, bem como a sua interpretação, que incluía a destruição do reino de Nabucodonosor (Dn 2:19-36).

Nabucodonosor, impressionado com o que aconteceu, honrou a Deus e recompensou Daniel com presentes preciosos, colocando-o como o governador de toda a província de Babilônia, além de principal governador de todos os sábios (Dn 2:48).

Mais tarde, Nabucodonosor voltou a ter outro sonho da parte de Deus. Tal sonho envolvia o processo de humilhação a qual o monarca seria submetido devido ao seu orgulho e soberba (Dn 4).

O Profeta Daniel interpreta um estranho texto na parede:

Por pelo menos 20 anos (aprox. 561-539 a.C.), nada foi registrado sobre Daniel. Alguns estudiosos acreditam que ele tenha, de certa forma, perdido alguma posição privilegiada na corte depois da morte de Nabucodonosor.

O Profeta aparece em cena novamente por ocasião de um episódio ocorrido já durante o reinado de Belsazar, que exercia a co-regência da Babilônia com seu pai Nabonido. Belsazar deu uma festa, e acabou ordenando que trouxessem as taças de ouro e de prata que Nabucodonosor havia tomado de Templo de Jerusalém para que fossem profanadas por ele e seus convidados (Dn 5:1-3).

Num determinado momento, apareceram dedos de mão humana que começaram a escrever na parede do palácio (Dn 5:5). Quando nenhum dos sábios da Babilônia pôde desvendar o que havia sido escrito na parede, a rainha, provavelmente filha de Nabucodonosor e mãe de Belsazar, lembrou-se de Daniel, que acabou sendo convocado para interpretar a inscrição que dizia: “MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM” (5:25).

De acordo com a interpretação do Profeta Daniel, a inscrição misteriosa da parede era uma referência à sentença sobre a conquista da Babilônia e a queda de seu rei. A interpretação exata dada pelo Profeta Daniel foi a seguinte:

Mene: Deus contou os dias do teu reinado e determinou o seu fim.
Tequel: Foste pesado na balança e achado em falta.
Peres: Teu reino foi dividido e entregue aos medos e persas.
(Daniel 5:26-28)

Tudo sucedeu conforme a interpretação do Profeta Daniel. Dario, o medo, matou Belsazar e conquistou Babilônia naquela mesma noite. Embora não exista qualquer referência extra-bíblica a um personagem medo com o nome de Dario, importantes estudiosos consideram que esse Dario citado no livro de Daniel é o governador da Babilônia no reinado de Ciro, identificado como Gobryas.

Daniel na cova dos leões:

Quando Dario tomou a Babilônia, logo ele reconheceu a habilidade e capacidade do Profeta Daniel. Dario separou cento e vinte governadores de províncias, e também escolheu três homens para agirem como supervisores dos governadores, a qual Daniel estava entre os três supervisores.

O Profeta Daniel, porém, começou a se destacar entre os supervisores, e o rei planejava colocá-lo à frente do governo de todo império (Dn 6:3). Diante disso, os governadores e os outros supervisores, começaram a tentar derrubar Daniel de seu posto. Como não encontravam nada que pudesse acusar o Profeta Daniel, então eles tramaram uma conspiração que afrontava a Lei de Deus, e colocava Daniel numa posição “sem saída”. O plano consistia em fazer com que o rei estabelecesse um decreto de que durante trinta dias todas as orações deveriam ser direcionadas a pessoa do rei, e quem desobedecesse seria atirado na cova dos leões (Dn 6:7).

Daniel não se abalou com tal decreto, ao contrário, como de costume o profeta orava três vezes ao dia em seu quarto, no andar de cima, onde as janelas davam para Jerusalém. Como parte da conspiração, os homens ficaram vigiando o Profeta Daniel, e assim que o encontraram orando a Deus, correram para contar ao rei.

Ao ouvir sobre a “desobediência” do Profeta Daniel, Dario ficou muito entristecido e tentou salvar Daniel até o fim do dia. Porém, os homens que tramaram contra o Profeta Daniel trataram de garantir que o decreto fosse cumprido, e Daniel lançado na cova dos leões.

Naquele dia, o rei foi para casa e não conseguiu dormir a noite. Quando o dia amanheceu, o rei se levantou depressa e correu para a cova dos leões. Aflito, o rei chamou pelo Profeta Daniel próximo à cova. Ao ouvir o chamado do rei, Daniel respondeu dizendo que Deus havia enviado o seu anjo para fechar a boca dos leões.

O rei ficou muito alegre e ordenou que tirassem o Profeta Daniel da cova. Em contra partida, Dario ordenou que aqueles que se levantaram contra Daniel fossem atirados juntamente com suas famílias à cova dos leões. Por fim, o rei ainda editou um decreto para que todos temessem e reverenciassem o Deus de Daniel.

As visões do Profeta Daniel:

Entre os capítulos 7 e 12, estão registradas as próprias visões do Profeta Daniel, as quais, entre outras coisas, predizem principalmente o triunfo do reino messiânico. Tais visões também são lembradas nos mais intensos debates teológicos acerca da escatologia bíblica.

O Profeta Daniel teve sua última visão registrada em seu livro, nas margens do rio Tigre, durante o terceiro ano do reinado de Ciro.

No Novo Testamento, Jesus, em Seu Sermão Escatológico, cita a profecia do Profeta Daniel acerca do “abominável da desolação” (Dn 9:27; 11:31; 12:11 cf. Mt 24:15; Mc 13:14), que historicamente se referia à profanação promovida por Antíoco IV Epífanio, e que prefigurava a profanação causada pelo general romano Tito na queda de Jerusalém em 70 d.C. Ainda sobre essa profecia, a maioria dos estudiosos concorda que tais eventos tipificam de alguma forma o Anticristo escatológico, que surgirá perto do fim da presente era (2Ts 2:3).

O Profeta Daniel foi um exemplo:

Daniel foi uma pessoa integra e justa, temente a Deus acima de qualquer coisa. Ele nunca aceitou se corromper, por maior que fosse o tesouro que lhe oferecesse. Daniel era fiel a Deus mesmo que isso custasse sua vida. Ele também nos mostrou como é possível buscar a Deus mesmo em uma terra estranha e mergulhada no paganismo.

Provavelmente o Profeta Daniel alcançou os 90 anos de idade, vivendo até aproximadamente 536 a.C., no terceiro ano do reinado de Ciro. Existe uma tradição rabínica que afirma que Daniel voltou para Jerusalém no final de sua vida, com a libertação dos exilados, e foi sepultado em Susa. Porém, não existe qualquer evidência maior para atestar tal tradição.

Sobre Daniel Conegero

Daniel Conegero
Daniel Conegero é o líder do Projeto Estilo Adoração. Começou a pregar a Palavra de Deus com apenas 3 anos de idade. Aos nove anos começou a compor e liderar o louvor na igreja. É professor de Teologia e também da Escola Bíblica Dominical na igreja em que congrega. É formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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