A Semana da Paixão: A Última Semana de Jesus Antes da Crucificação

A Semana da Paixão é como ficou conhecida a última semana de Jesus antes da crucificação. Durante a Idade Média, essa semana foi contada no calendário litúrgico cristão como “semana santa”. Mas a tradição reformada rejeita esse tipo de interpretação que atribui um caráter sagrado a esses dias.

Contudo, é muito importante que os cristãos saibam sobre cada evento que ocorreu na Semana da Paixão. Alguns destes acontecimentos estão registrados nos quatro Evangelhos, enquanto outros estão registrados apenas em um ou dois Evangelhos. Logo, muita gente acaba ficando em dúvida sobre os acontecimentos que ocorreram na semana da crucificação.

Neste estudo bíblico nós iremos organizar o cronograma de eventos da última semana de Jesus antes da crucificação.

Quando ocorreu a Semana da Paixão?

Primeiro, vale ressaltar que não existe consenso entre os estudiosos acerca do ano exato da crucificação. Diversos estudos já foram feitos na expectativa de resolver esse problema. Porém, as sugestões ficam entre 30 e 36 d.C., sendo que atualmente os anos 30 e 33 d.C. são os mais aceitos. Isso significa que provavelmente a Semana da Paixão ocorreu numa semana que antecedeu o domingo de Páscoa entre 30 e 33 d.C.

A mesma discussão acontece em relação ao dia da semana em que Cristo foi crucificado. Alguns defendem que a quarta-feira foi o dia da crucificação. Outros sugerem a quinta. Por último, há aqueles que acreditam ter sido a sexta-feira.

Neste estudo, consideraremos a posição mais provável e amplamente aceita de que a crucificação ocorreu na sexta-feira. Vejamos então cada um dos acontecimentos da Semana da Paixão.

Domingo da Semana da Paixão

  1. Entrada triunfal em Jerusalém (Mateus 21:1-11; Marcos 11:1-11; Lucas 19:28-44; João 12:12-19): Jesus entrou na cidade de Jerusalém montando um jumentinho. Enquanto Ele entrava em Jerusalém em direção ao Templo, muitos estendiam suas vestes e ramos das árvores pelo caminho. Neste evento, há uma nítida ligação com as profecias registradas no Antigo Testamento. O profeta Zacarias profetizou exatamente sobre esse acontecimento. Ele falou sobre um rei justo e humilde que traria salvação, e que viria montado em um jumento (Zacarias 9:9). Além disso, um salmo messiânico celebra diretamente a procissão do Messias (Salmo 118). Na entrada triunfal, a multidão clamava exatamente as frases do verso 26 desse salmo.
  2. De volta a Betânia (Mateus 21:17; Marcos 11:11): o Evangelho de Mateus e o Evangelho de Marcos registram que após a entrada triunfal, Jesus passou a noite em Betânia.

Segunda-Feira da Semana da Paixão

  1. Jesus amaldiçoa uma figueira (Mateus 21:18-22; Marcos 11:12-25): os Evangelhos de Mateus e Marcos são os únicos que relatam esse acontecimento. No dia seguinte, quando saíram de Betânia, Jesus teve fome. Então Ele viu uma figueira e foi procurar nela algum fruto, porém não encontrou.
  2. A purificação do Templo (Mateus 21:12-16; Marcos 11:15-18; Lucas 19:45-48): Jesus retornou a Jerusalém e expulsou os mercadores que praticam comércio dentro do Templo.
  3. Saída da cidade (Marcos 11:19): O Evangelho de Marcos relata que, já sendo tarde, Jesus saiu da cidade de Jerusalém. Muito provavelmente Ele voltou a Betânia, pois no dia seguinte eles viram a mesma figueira que havia sido amaldiçoada (Marcos 11:20).

Terça-Feira da Semana da Paixão

  1. Jesus ensina no templo e discute com os religiosos (Mateus 21:23-23:39; Marcos 11:27-12:44; Lucas 20:1-47): voltando a Jerusalém, Jesus se dirigiu ao Templo e começou a ensinar. Então os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos, se aproximaram dele para confrontá-lo acerca dos últimos acontecimentos. Eles queriam achar algum motivo para poder prendê-lo. Nesse contexto Jesus contou algumas parábolas: Os Dois Filhos (Mateus 21:28-32), Os Lavradores Maus (Mateus 21:33-46; Marcos 12:1-12; Lucas 20:9-19) e As Bodas do Filho do Rei (Mateus 22:1-14).
  2. A oferta da viúva pobre (Marcos 12:41-44; Lucas 21:1-4): Os Evangelhos de Marcos e Lucas registram essa conhecida passagem bíblica.
  3. O sermão escatológico de Jesus (Mateus 24:1-25:46; Marcos 13:1-37; Lucas 21:5-38): esse foi um momento muito importante. Nessa ocasião Jesus falou sobre a destruição do Tempo e a vinda do Filho do Homem, ou seja, sua segunda vinda. Esse discurso é conhecido como o Sermão Escatológico de Jesus.

Quarta-Feira da Semana da Paixão

  1. O plano para matar Jesus (Mateus 26:1-5; Marcos 14:1-2): Jesus avisou aos seus discípulos que em dois dias Ele seria entregue para ser crucificado. O mesmo texto nos informa que os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos do povo já estavam se reunindo para planejarem a prisão e a morte de Jesus.
  2. Jesus em Betânia (Mateus 26:6-13; Marcos 14:3-9; João 12:1-8): na ocasião, uma mulher com um vaso de alabastro portando unguento de grande valor, derramou-lho sobre a cabeça de Jesus. O próprio Jesus relacionou a atitude da mulher como uma preparação do Seu corpo para o sepultamento (Mateus 26:12).
  3. A conspiração contra Jesus (Mateus 26:14-16; Marcos 14:10,11; Lucas 22:1-6): Judas Iscariotes foi procurar os príncipes dos sacerdotes com a finalidade de acertar um acordo para entregar Jesus.

Quinta-Feira da Semana da Paixão

  1. Jesus comemora a Páscoa (Mateus 26:17-25; Marcos 14:12-21; Lucas 22:7-16): Jesus deu instruções aos seus discípulos acerca dos preparativos para a Páscoa. Ele indicou o cenáculo que serviria para a ocasião. Quando já estavam sentados a comer, Jesus falou aos doze discípulos que o traidor estava entre eles.
  2. A Ceia do Senhor (Mateus 26:26-30; Marcos 14:22-26; Lucas 22:17-23; cf. 1 Coríntios 11:23-25): na sequência dos eventos, Jesus realizou e deu instruções sobre a Ceia. A partir dali, Ceia do Senhor deveria ser observada em lugar da Páscoa.
  3. Jesus lava os pés dos discípulos (João 13:1-20): o Evangelho de João é o único que registra esse episódio em que Jesus lavou os pés dos discípulos.
  4. A conversa com Pedro (Mateus 26:31-35; Marcos 14:27-31; Lucas 22:31-34; João 13:36-38): Jesus avisou que diante dos fatos de sua prisão, o apóstolo Pedro iria negá-lo.
  5. Jesus consola os discípulos (João 14:1-16:33): Jesus consolou Seus discípulos que estavam abatidos.
  6. Jesus ora a favor dos discípulos (João 17:1-26): o Evangelho de João registra a oração de Jesus em prol de Seus discípulos.
  7. Jesus no jardim do Getsêmani (Mateus 26:36-46; Marcos 14:32-42; Lucas 22:39-46; cf. João 18:1): Jesus partiu para orar num lugar chamado Getsêmani. Esse lugar era um jardim no Monte das Oliveiras que Jesus frequentava com frequência (Lucas 22:39).
  8. Jesus é preso (Mateus 26:47-56; Marcos 14:43-52; Lucas 22:47-53; João 18:1-12): os quatro Evangelhos narram o momento em que Jesus foi preso.
  9. Jesus diante do Sinédrio (Mateus 26:57-68; Marcos 14:53-65; Lucas 22:54,66-71; João 18:19-24): após ser preso, Jesus compareceu perante o Sinédrio que buscava alguma acusação contra Ele.
  10. Pedro nega Jesus (Mateus 26:68-75; Marcos 14:66-72; Lucas 22:54-62; João 18:15-18,25-27): a sequência do texto também mostra o momento em que Pedro negou Jesus conforme havia sido avisado que ocorreria.

Sexta-Feira da Semana da Paixão

  1. O julgamento de Jesus (Mateus 27:1-2,11-31; Marcos 15:1-20; Lucas 23:1-25; João 18:28-19:16): depois, Jesus foi levado perante Pôncio Pilatos. Na mesma ocasião, a multidão, incitada pelos principais dos sacerdotes, preferiram soltar Barrabás e pediram a crucificação de Jesus.
  2. Jesus é crucificado (Mateus 27:32-44; Marcos 15:21-32; Lucas 23:26-43; João 19:17-27): às nove horas da manhã, Jesus foi crucificado no lugar chamado Calvário.
  3. Jesus morre (Mateus 27:45-56; Marcos 14:33-41; Lucas 23:44-49; João 19:28-30): às três horas da tarde, Jesus entregou ao Pai o Seu espírito e morreu.
  4. Uma lança transpassa o corpo de Jesus (João 19:31-37): o Evangelho de João registra o ato do soldado que furou o lado do corpo de Jesus, cumprindo então as Escrituras (Zacarias 12:10; cf. Apocalipse 1:7).
  5. Jesus é sepultado (Mateus 27:57-61; Marcos 14:42-47; Lucas 23:50-56; João 19:38-42): Jesus foi sepultado antes do pôr do sol no túmulo cedido por José de Arimateia. Seu sepultamento também contou com a participação de Nicodemos que forneceu as especiarias que ungiram seu corpo.
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Após a morte de Jesus na Semana da Paixão

Durante todo o sábado, Jesus permaneceu sepultado. Seu túmulo foi atentamente vigiado por um destacamento da guarda romana (Mateus 27:62-66). Já no domingo, ocorreu o dia mais espetacular de toda a História: Cristo ressuscitou dos mortos! Triunfante, Ele começou a aparecer aos seus discípulos (Mateus 28; Marcos 16; Lucas 24; João 20; 21; cf. Atos 1:3-9; 1 Coríntios 15:5-7).

Os quatro Evangelhos descrevem o tumulo vazio (Mateus 28:1-10; Marcos 16:1-8; Lucas 24:1-12; João 20:1-9). Eles também indicam os aparecimentos de Jesus após a ressurreição. Também vale ressaltar que no mesmo dia, após a ressurreição de Jesus, os soldados que faziam a guarda do tumulo foram subornados para negarem a veracidade do ocorrido (Mateus 28:11-15). Mas eles não foram capazes de fazer calar as boas novas da ressurreição de Jesus.

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4 Comentários

  1. Foi o melhor texto que expôs a ordem dos acontecimentos da última semana de Cristo como homem histórico, pois após a ressurreição ele não passa mais a morrer, vive para sempre. Queria que você pudesse publicar um texto sobre como foi a ceia de Cristo com os apóstolos.

    1. COMO EXPLICA O QUE Jesus Cristo falou: “Pois, como Jonas esteve TRÊS DIAS E TRÊS NOITES no ventre da baleia, assim estará O FILHO DO HOMEM TRÊS DIAS E TRÊS NOITES no seio da terra.” Mateus 12:40.

  2. Daniel parabéns, texto muito bem elaborado inspiração do santo espirito de deus, que o senhor continue te dando sabedoria a cada dia mais, que a graça e paz do nosso senhor jesus esteja com você e toda sua familia em nome de jesus, sou o irmão Antonio Carlos de mossoró Rio Grande do Norte.

  3. Gostei muito da exposição do estudo e das passagens bíblicas!
    Parabéns! Que Deus abençoe grandemente este trabalho, pois é
    de grande importância, tanto a nível de conhecimento como espiritualmente,
    o conhecimento das Escrituras! Amém!

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