O Que Significa Contrição na Bíblia? O Que é “Ato de Contrição”?

O significado de contrição implica na ideia de estar “machucado” ou “abatido”. Na Bíblia, a palavra contrição e suas variantes aparecem apenas no Antigo Testamento para traduzir um termo hebraico que significa literalmente “contundir”, “esmagar” ou “triturar”. Com o tempo, algumas tradições cristãs passaram a usar a expressão “ato de contrição” para designar um tipo de oração de arrependimento.

Nos textos bíblicos, a palavra “contrição” é usada de forma metafórica para falar da condição do adorador que se aproxima de Deus com arrependimento buscando misericórdia, graça e perdão. Nesse sentido, o adorador contrito é aquele que se aproxima de Deus com humildade, reconhecendo a sua inferioridade diante d’Aquele que é absolutamente santo.

Por isso, muitos comentaristas falam da contrição como um tipo de “esmagamento religioso” demonstrado pelo adorador por causa de seus pecados. A boa notícia é que Deus recebe e perdoa aquele que se apresenta diante dele com contrição (cf. Salmos 34:18; 51:17; Isaías 66:2).

O contraste da aproximação entre o adorador e Deus, fica muito claro na profecia do profeta Isaías. O profeta registra que Aquele que é o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo, embora habite num alto e santo lugar, também habita com o contrito e abatido de espírito, “para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57:15).

A contrição e o verdadeiro arrependimento

Especialmente na Idade Média, muitos estudiosos bíblicos aprofundaram a teologia do arrependimento. Nesse sentido, basicamente tornou-se comum uma distinção entre dois tipos de arrependimento: o attritio e o contritio.

O arrependimento classificado como “atrição” indica um sentimento principalmente motivado pelo medo. Nesse caso, trata-se de um arrependimento superficial que simplesmente reflete o temor do pecador em ser castigado por causa de seus pecados. Quem demonstra esse tipo de arrependimento, sempre está mais preocupado com o seu bem-estar do que com o fato de ter transgredido à Palavra do Senhor.

Por outro lado, o arrependimento classificado como “contrição” indica um sentimento de completo “esmagamento” por parte do pecador em reconhecimento de seus pecados diante do Senhor. Contrito, o pecador demonstra genuína reverência pela santidade de Deus, e desejo de mudar sua vida para não cometer mais o mesmo erro. Nesse contexto, a contrição implica na ideia de mudar a direção para se afastar definitivamente do pecado. Em última análise, não se trata de um arrependimento por medo ou pavor, mas por amor, gratidão e compromisso verdadeiro.

Durante a Reforma Protestante, o debate a respeito desses dois tipos de arrependimento se intensificou. Os teólogos católicos romanos, consideravam que a atrição era suficiente para que uma pessoa fosse perdoada por Deus. Por isso, qualquer pessoa podia ter acesso aos certificados de indulgência.

Já os teólogos reformados insistiram que o arrependimento tinha de ser mais profundo, e consideraram a contrição como a característica do verdadeiro arrependimento. Inclusive, o reformador Martinho Lutero, em suas 95 Teses, enfatizou várias vezes a necessidade da contrição.

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O que é “ato de contrição”?

Posteriormente, em algumas tradições cristãs, como as tradições católica, luterana e anglicana, uma fórmula de oração ficou popularmente conhecida como “ato de contrição”. Na verdade, na tradição católica existem até mesmo várias versões de orações que são consideradas “atos de contrição”. As versões mais antigas dessas orações datam provavelmente do século 16 d.C.

Numa oração chamada de “ato de contrição”, basicamente o crente busca o perdão de Deus ao confessar o seu pecado diante do Senhor, reconhecendo ser merecedor do justo castigo divino, expressando a sua repulsa por esse pecado, bem como indicando a sua disposição, pela graça divina, em não cometê-lo mais.

Embora essas fórmulas possam ter alguma utilidade pedagógica, no sentido de auxiliar o crente ao lhe dar uma ideia de como se expressar numa oração de confissão a Deus, elas não podem ser usadas além disso, ou seja, essas orações não passam de um simples modelo. Isso porque o ato de contrição bíblico não é a repetição de uma série de palavras como um tipo de mantra ou como uma fórmula mística que proporciona ao pecador desfrutar do perdão divino.

O verdadeiro ato de contrição, biblicamente falando, é um estado de espírito, é um quebrantamento profundo que atinge o crente por completo. Às vezes, a contrição do adorador pode ser tão grande que talvez possa lhe faltar até mesmo as palavras em sua boca. Mas a Bíblia nos garante que mesmo em momento assim, o Espírito Santo nos assiste em nossa fraqueza e intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Romanos 8:26).

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